Em evento com estudantes e representantes de associações de professores em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), criticou a política do governo interino de Michel Temer (PMDB) e comparou seu processo de impeachment com a tentativa de golpe na Turquia.
Segundo a petista, enquanto na Turquia há um golpe “verdadeiramente militar”, o Brasil vive um “golpe parlamentar”. “Lá, você tem um machado que quebra a árvore da democracia, enquanto no golpe parlamentar são parasitas atacando a árvore”, afirmou ela na UFABC (Universidade Federal do ABC), ontem.
De acordo com a presidente afastada, há, por trás de seu impeachment uma “ambição pelo parlamentarismo”, pois o sistema de votos proporcionais criaria “filtros oligárquicos” nas eleições. “O parlamento no Brasil é mais conservador que o Executivo”, declarou.
Ela voltou a afirmar que não cometeu crime de responsabilidade nas pedaladas fiscais e que, ser for condenada por elas, seus antecessores também o deveriam ter sido. “Está ficando até chato. Semana passada o Ministério Público Federal disse que a pedalada não se caracteriza como irregularidade, que não há crime nesse caso”, disse.
Dilma criticou o projeto do governo Temer de estabelecimento de teto para gastos com educação e saúde nos próximos 20 anos. Segundo ela, o resultado da medida seria “a redução per capita dos gastos” ao longo dos anos, com o ingresso de mais alunos nas universidades. “É a medida mais grave desse governo para mim”, afirmou.