A ex-presidente Dilma Rousseff prestou depoimento à Justiça Federal ontem como testemunha de defesa na ação contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo.
Os dois são acusados pela Operação Lava Jato de receber R$ 1 milhão do esquema de corrupção da Petrobras para bancar a campanha eleitoral dela ao Senado, em 2010. O processo corre no STF (Supremo Tribunal Federal).
Dilma disse que a senadora, que era ministra-chefe da Casa Civil quando Paulo Roberto Costa foi demitido da diretoria de Abastecimento da Petrobras, não tentou pressionar pela manutenção dele no posto.
A permanência de Costa no cargo seria um dos motivos, segundo a denúncia, que levaram Bernardo a pedir o pagamento de propina.
A ex-presidente também afirmou que o ex-ministro não a procurou após a saída do ex-diretor para falar do assunto.
A petista foi ouvida na sede da Justiça Federal de Porto Alegre. Conduzida pelo juiz auxiliar Paulo Marcos de Farias, que trabalha com o ministro Edson Fachin, relator da ação, a audiência durou cerca de meia hora - começou às 13h10 e foi até as 13h46.
Vestindo blusa preta e blazer vermelho, ela chegou em um veículo com vidros escuros e usou uma entrada lateral do prédio para acessar a sala onde falaria.
A petista reiterou diversas vezes que Gleisi era ministra quando ela demitiu Costa e que “ela (Gleisi) não participava dessa decisão. Não era do âmbito dela”.
Dilma afirmou nunca ter tratado do assunto com a senadora, atual presidente nacional do PT, a quem chamou de “uma pessoa bastante séria e extremamente rígida”.
Além de Dilma, já foram ouvidos no processo os ex-presidentes da Petrobras José Sérgio Gabrielli, na Bahia, e Graça Foster, no Rio de Janeiro, e o ex-presidente Lula, em São Paulo. Ainda deve prestar depoimento o ex-ministro Gilberto Carvalho.
O casal Gleisi e Paulo Bernardo nega as acusações.
A ex-presidente afirmou à Justiça que dispensou Costa da estatal porque “não achava que ele era competente para o cargo”.
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