POLÍTICA

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Dívida de R$ 5,7 milhões "trava" Mauá da Serra

Edison Costa

| Edição de 10 de fevereiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O prefeito de Mauá da Serra, Hermes Wicthoff (PTB), apresentou à imprensa, nesta semana, um relatório da situação financeira e patrimonial do Município, conforme levantamento feito por sua equipe nos primeiros 30 dias de mandato. Segundo ele, a situação deixada pela gestão anterior “é a pior possível”.
De acordo com o prefeito, o total da dívida herdada a curto prazo, ou seja, débitos deixados a pagar, soma R$ 5.724.000. São valores correspondentes a RPPN, precatórios trabalhistas, INSS, férias vencidas de funcionários e pagamentos atrasados com hospitais conveniados. O parque rodoviário, conforme assinala, está totalmente sucateado, sem as mínimas condições de uso.
“Tem dia que dá uma tristeza danada, até vontade de ir para casa”, afirma Hermes Wicthoff. “Infelizmente encontrei uma situação nada agradável. Não é aquilo que a gente imaginava”, diz.
A dívida maior que a atual gestão tem que pagar de imediato é de aproximadamente R$ 2,8 milhões. Trata-se de parte de ICMS Ecológico que o Município recebeu referente à RPPN-Reserva Particular do Patrimônio Natural que a Prefeitura não repassou ao Instituto Monte Sinai. Hermes lembra que a RPPN da Fazenda Monte Sinai, uma área de 300 alqueires de preservação, foi criada ainda na sua gestão, em 2004/2005. Naquela época foi feito um acordo de que o Município ficaria com 50% do ICMS Ecológico e 50% ficaria com o instituto para trabalhos de preservação da área. No entanto, conforme argumenta, o ex-prefeito Nicolau Muniz Júnior (PSC) não repassou ao Instituto Monte Sinai a parte que lhe cabia. O instituto entrou na Justiça e teve ganho de causa para receber o valor devido, que acumula
R$ 2,8 milhões.
O prefeito acrescenta que no começo do ano recebeu a Prefeitura com R$ 1.092.000 de INSS atrasado. Este valor ele está tentando o parcelamento para que o Município não fique inadimplente perante o órgão.
Em torno de R$ 800 mil de férias vencidas dos servidores não foram pagos. Os precatórios vencidos somam R$ 720 mil. A Prefeitura também deve R$ 200 mil ao Hospital da Providência e R$ 105 mil ao Hospital Oftalmologista de Londrina com os quais tem convênios para atendimento aos pacientes de Mauá da Serra.
O Parque Rodoviária, conforme o prefeito, está todo sucateado. Ônibus, caminhões, tratores, máquinas e veículos menores, num total de 23, estão sem motores ou com os motores fundidos. Até a caminhoneta do gabinete está com o motor avariado. “Eu estou pegando carona com prefeitos vizinhos para ir a Curitiba a serviço do Município”.
Hermes destaca que um dos fatos mais tristes ainda é o que aconteceu com o Aterro Sanitário. Segundo ele, na noite do dia 25 de dezembro, quando todas as famílias comemoravam o Natal, entraram no Aterro Sanitário e colocaram fogo em tudo. Foram queimados quase todo o barracão, escritório com notas de contabilidade da associação dos catadores, refeitório, prensa, banheiros. “Aos poucos vamos tentar recuperar o aterro para colocá-lo novamente em funcionamento”, afirma.
Hermes cita ainda outros problemas herdados como folha salarial acima do limite e novas ações trabalhistas chegando. “Mas tenho fé em Deus que vamos superar tudo isso. Com apoio dos funcionários, dos vereadores e da própria população, que é quem vai pagar esta conta, vamos reerguer o Município”, afirma. O prefeito explica que fez este relatório para que a população fique sabendo em que situação pegou o município.