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"É a Justiça que irá declarar minha inocência", afirma Beto Richa

Editoria de Política

| Edição de 30 de setembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Em entrevista exclusiva à Tribuna, o ex-governador Beto Richa (PSDB), candidato ao Senado, negou qualquer irregularidade no programa Patrulha Rural, que acabou resultando na sua prisão temporária no começo deste mês, e também na concessão de rodovias. 

Imagem ilustrativa da imagem "É a Justiça que irá declarar minha inocência", afirma Beto Richa


“Apesar de tudo o que está acontecendo comigo e com a minha família, sigo confiando na Justiça brasileira, que, dentro do seu tempo, reestabelecerá a verdade e a minha honra”, afirma Richa, que mostra confiança na eleição para o Senado.  Ele assinalou também que compreende “a eventual desconfiança dos eleitores”, mas reforça sua inocência. “Os paranaenses me conhecem. Os paranaenses conhecem a minha família. Temos uma história de bons serviços prestados ao Paraná”, disse. Confira abaixo a entrevista na íntegra. 

TRIBUNA DO NORTE – O que o senhor tem a dizer sobre as denúncias envolvendo o Programa Patrulha Rural e a operação do Gaeco que o levou à prisão?
BETO RICHA - A denúncia oferecida contra mim, assim como a prisão temporária decretada no dia 11 de setembro são baseadas única e exclusivamente nos termos do depoimento de um colaborador premiado já conhecido do Poder Judiciário paranaense. Não existe qualquer base em provas de suas falaciosas alegações. Ainda mais grave, sem a mínima diligência investigativa para apurar as ilações feitas pelo delator. Não fui chamado a depor. Jamais pediram qualquer explicação a mim. Apesar de tudo o que está acontecendo comigo e com a minha família, sigo confiando na Justiça brasileira, que, dentro do seu tempo, restabelecerá a verdade e a minha honra. Não sou eu que direi que sou inocente. É a Justiça que irá declarar minha inocência. 
 
TN – A Operação Lava Jato também envolveu o seu governo, com denúncias de irregularidades na concessão de rodovias federais e de beneficiamento a algumas empresas. Qual é o posicionamento do senhor em relação ao assunto?
BETO RICHA – Nunca fui condescendente com desvios de qualquer natureza. Sou o maior interessado na investigação de possíveis irregularidades. Quero e colaboro para que tudo seja devidamente explicado. Destaco, também, que eu e meu irmão José Richa Filho, que foi secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, jamais fomos chamados para esclarecer qualquer fato relacionado à referida operação. O processo tramita sob sigilo na 23.ª Vara Federal e se baseia em depoimento frágil e sem o respaldo de provas. Aguardo serenamente - sem temer - o trabalho da Justiça e do tempo, que jogarão luz sobre essas denúncias. 

TN – Como o senhor avalia os dias que passou na prisão? Chegou a pensar em desistir da candidatura?
BETO RICHA – Foram momentos difíceis. O que aconteceu comigo, com a minha mulher Fernanda, com o meu irmão José Richa Filho, constitui, como reconheceu o próprio Supremo Tribunal Federal, um ato de violência cujo viés político é muito claro. Queriam atingir minha candidatura ao Senado. Queriam liquidar a minha trajetória política. Queriam me destruir moralmente há muito tempo. Fomos presos sem termos sido nem ouvidos. Invadiram minha casa, aterrorizaram minha mulher e meu filho caçula, invadiram a casa da minha mãe, de 78 anos. Fui vítima do Estado policial que alguns querem implantar no País. Contudo, deixo claro: não quero privilégio de nenhuma natureza. Só quero a garantia legal a que todos os brasileiros têm direito. Não passou pela minha cabeça desistir da minha candidatura. Não devo nada a ninguém. Sou candidato ao Senado, sim! Continuarei a lutar por um Brasil mais justo e mais decente. Continuarei a lutar pela minha honra e da minha família. Continuarei a lutar para preservar a memória do meu pai, do grande brasileiro que foi José Richa. Tenho um legado a defender. Como prefeito de Curitiba, foi escolhido dez vezes como o melhor prefeito do País. Deixei uma marca e muitas realizações na capital. Como governador do Paraná, fiz 22 mil obras, saneei as finanças do Estado, que hoje tem a melhor situação econômica do Brasil. Minhas gestões foram atestadas como eficientes pelo Ranking de Eficiência dos Estados da Folha de S. Paulo (REE-F). Isso não se apaga.  

TN– Após a prisão, o senhor passou a receber críticas de antigos aliados, como a própria atual governadora Cida Borghetti e o ex-deputado Alex Canziani, que defendem desde a saída da coligação até a retirada de sua candidatura. Como o senhor avalia esse posicionamento?
BETO RICHA – A lei não permite que me afastem. Só posso ser afastado em caso de morte, desistência voluntária ou indeferimento de candidatura. Nenhuma das hipóteses é real. Esse é um momento delicado. Muitas pessoas se afastam e o oportunismo aflora. Mas, é nessas horas que descobrimos os verdadeiros companheiros. Felizmente, tenho muitos amigos e parceiros. Posso percorrer o Estado e sou reconhecido pelas coisas boas que fiz. Reduzimos a miséria em 57%, reduzimos a mortalidade materna em 47%, reduzimos a mortalidade infantil em 15%, reduzimos o índice de homicídios em 33%, a menor taxa em uma década. Hoje, 36% das receitas de impostos vão para a Educação. Elevamos os investimentos em Saúde de R$ 6 bilhões para R$ 22 bilhões. Investimos muito em infraestrutura. É obrigação de um governante fazer direito. Mas muitos não conseguiram entregar nem uma parte do resultado que meu governo produziu. O meu sucesso administrativo, o meu êxito eleitoral incomodam muita gente.

TN - Ratinho Júnior também procura se desvencilhar do seu governo, mesmo tendo sido seu secretário... Qual a sua avaliação disso? 
BETO RICHA – Repito: o momento é delicado e muitas pessoas se afastam e o oportunismo aflora. Desejo sorte a ele e a todos os demais candidatos. Assim como fiz quando fui governador do Paraná, período em que jamais olhei o partido de um prefeito para investir em obras e repassar recursos aos municípios paranaenses, seguirei os mesmos princípios no Senado Federal. Independente de quem for eleito governador do Estado, irei trabalhar para ajudar o Paraná a avançar ainda mais. 

TN - A última pesquisa do Ibope mostrou uma queda de 11%, mas o senhor continua em segundo lugar, garantindo uma vaga.  Qual o impacto dessas denúncias agora na reta final da eleição e suas possibilidades de chegar ao Senado em 7 de outubro?
BETO RICHA – Não costumo comentar resultados de pesquisas eleitorais. Mas, faço um alerta aos eleitores: votem com a razão e não se deixem contaminar pelo noticiário ruim do momento. A Justiça tem o seu tempo e tudo ficará esclarecido. Avalie o perfil dos candidatos. Veja o que cada um dos que pedem seu voto fez pela sua cidade. Eu fui um governador municipalista e, como atendi todos os 399 municípios paranaenses, também atendi Apucarana. Cito o exemplo dos investimentos feitos no Centro da Juventude Alex Mazaron, na construção da escola municipal no Jardim Diamantina e na reforma de outros 17 colégios estaduais, na pavimentação de ruas em vários bairros, em saneamento e na rede de energia, na construção de casas para mais de mil famílias da cidade, na compra de ambulância e ônibus para apoio ao sistema de saúde, na compra de viaturas e equipamentos policiais, enfim, fizemos uma parceria sólida com a prefeitura da cidade para garantir melhor qualidade de vida aos cidadãos de Apucarana.

TN- Como o senhor tem sido recebido pelos eleitores na campanha pelo Paraná após as denúncias e a prisão?
BETO RICHA – Compreendo a eventual desconfiança dos eleitores. Mas peço que se coloquem no meu lugar: fomos presos sem termos sido nem ouvidos. Primeiro eles querem nos humilhar para depois nos ouvir. Primeiro eles querem nos destruir para depois nos ouvir. Mantenho a calma e confio que a injustiça será reparada. Os paranaenses me conhecem. Os paranaenses conhecem a minha família. Temos uma história de bons serviços prestados ao Paraná. Eu confio e tenho certeza que o eleitor tem capacidade de avaliar e comparar o resultado do meu trabalho. Encontrei o Estado em 2011 com uma dívida de R$ 4,5 bilhões. Deixei o Paraná com R$ 6,7 bilhões em caixa. O eleitor paranaense vai saber reconhecer esse trabalho. Eu tenho o que mostrar e minha administração foi reconhecida pela eficiência.
TN – O senhor é muito crítico aos senadores atuais, que não apoiaram o Estado. Qual a postura que o senhor pretende adotar caso eleito senador do Paraná?
BETO RICHA – Os três senadores escolhidos pelos paranaenses devem defender, de forma única e intransigente, os interesses do Paraná. Eleitos, alguns esquecem a bandeira do nosso Estado e passam a empunhar bandeiras político-partidárias, passam a legislar sobre causas de suas siglas e dão as costas para a nossa gente. Quero mudar essa história, levo nas mãos a bandeira do Paraná e lutarei pelos interesses da nossa população. Levarei para o Senado Federal a experiência acumulada em dois mandatos de deputado estadual, vice-prefeito e prefeito de Curitiba por dois mandatos e governador eleito e reeleito. Conheço nosso Estado, conheço cada um dos 399 municípios paranaenses e farei do meu gabinete em Brasília uma extensão do Paraná. Manterei o canal aberto com a população e seus representantes. Podemos fazer mais e melhor pelos paranaenses. E faremos.

TN - Como o próximo governador encontrará as finanças do Estado?
BETO RICHA – Deixei as contas em dia, reduzi em 7,5% as despesas e aumentei em 2,5% nas receitas; cortei mil cargos em comissão e, segundo o IBGE, o Paraná tem a menor taxa de servidores comissionados do Brasil - apenas 1,35% do quadro de colaboradores ocupavam cargos em comissão; entre 2014 e 2017, o Paraná ampliou os investimentos públicos em 16,1%, sendo que no período somente o Paraná e Rondônia, com 0,8% de crescimento, realizaram investimentos como reformas e melhorias em escolas, hospitais, rodovias; reduzi o nível de endividamento do Estado: em 2010, era de 90,87% e caiu para 27% da receita corrente líquida; o Paraná hoje figura entre os três Estados mais competitivos do Brasil, de acordo com estudo feito em parceria com a consultoria Tendências e com a Economist Intelligence Unit; implantamos o programa Paraná Competitivo, que atraiu R$ 45 bilhões em investimentos e gerou 450 mil empregos; a taxa de desocupação no Estado é de 8,5%, enquanto que no Brasil é de 12,4% segundo o IBGE. 
TN - Na sua campanha, o setor destaca os investimentos feitos na saúde e educação.
BETO RICHA - Na área da Saúde, quatro mil veículos novos foram comprados para atender melhor a população; 273 hospitais públicos e filantrópicos passaram a receber recursos para dar atendimento mais humano e qualificado; 70 mil cirurgias eletivas foram realizadas com recursos do Estado, o que fez reduzir a fila de espera em áreas como ortopedia, ginecologia, hérnia vascular e outras; a espera por cirurgia de catarata foi praticamente zerada; estruturação do sistema de urgência e emergência com helicópteros em Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel com o resultado de dez mil atendimentos; o número de leitos de UTI cresceu 60%. Na Educação, o orçamento cresceu 108% e 36% das receitas líquidas investidos no sistema público de ensino; aumento salarial e pagamento de todas as promoções e progressões de carreira para os professores; obras de reforma, melhoria e conservação de quase duas mil escolas; R$ 283 milhões aplicados na modernização da estrutura tecnológica da rede estadual; mais avanços e melhorias no transporte escolar, na alimentação dos alunos. O ensino superior foi tratado com muita atenção e o orçamento das sete universidades estaduais subiu de R$ 800 milhões para R$ 2,5 bilhões. Destaco que, em agosto de 2013, sancionei a lei que instituiu o programa “Todos Iguais pela Educação”, dando às escolas básicas de educação especial os mesmos direitos e recursos da rede estadual de ensino. O ato permitiu que 45 mil alunos, 45 mil pessoas com deficiência, ingressassem no sistema público de ensino. E mais: foi aberta a possibilidade legal para que eu, como governador do Estado, repassasse R$ 401 milhões para as Apaes de todo o Paraná. Também foi realizado o investimento na compra de ônibus adaptados para o transporte dos alunos e de materiais para prática esportiva. 

TN - A segurança é um desafio em todo país. Qual o balanço que o senhor faz nessa área no Paraná?
BETO RICHA - Na Segurança, criamos o programa Paraná Seguro, contratamos onze mil policiais, investimos na compra de três mil viaturas e equipamentos modernos e mais adequados para o combate à criminalidade. Na área Social, investimos R$ 1,4 bilhão na proteção e atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade e na garantia de direitos das mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas e com deficiência; 331 mil famílias foram atendidas pelo programa Família Paranaense; Instituímos o Fundo Estadual de Combate à Pobreza; reduzimos a extrema pobreza em 57,4%. A maior redução entre os Estados das regiões Sul e Sudeste. 

TN - Qual é a herança que o senhor deixa na área de infraestrutura?
BETO RICHA - Mais de R$ 10,8 bilhões estão sendo investidos em obras e conservação de rodovias, portos, ferrovias, vias e estradas municipais, aeroportos, hidrovias e centros de logística. O Porto de Paranaguá hoje é exemplo de eficiência para o País. Na área de Desenvolvimento Urbano, foram liberados R$ 2,6 bilhões para projetos e obras em todas as cidades do Estado. Os recursos foram destinados para a pavimentação de ruas e a construção de escolas, creches, postos de saúde e hospitais, barracões industriais, praças, quadras esportivas, terminais de transporte, etc. Na área de Saneamento, foram investidos R$ 4,989 bilhões em saneamento. Para o período de 2018 a 2022 estão aprovados mais 
R$ 5,687 bilhões. O índice de saneamento do Estado saltou de 58% para 72% e 100% do esgoto coletado é tratado. Cinco cidades paranaenses (Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, Londrina e Curitiba) estão entre as 17 com melhor saneamento do Brasil, segundo o Instituto Trata Brasil. Curitiba é a primeira entre as capitais.  As grandes realizações das nossas gestões são um registro incontestável do trabalho sério e comprometido que fizemos. Como já disse, isso não se apaga.