O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou ontem pela primeira vez após a decretação da prisão por parte do juiz federal Sérgio Moro e prometeu se entregar ainda ontem à Polícia Federal (PF). Durante missa celebrada na frente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde Lula se refugiou desde a noite de quinta-feira, o petista fez inúmeras críticas ao Judiciário.
Lula disse que não perdoa o juiz Sergio Moro, o Ministério Público e a Polícia Federal por terem “mentido” sobre ele, mas afirmou que iria acatar ao mandado de prisão expedido pela Justiça Federal. “Vou atender o mandado deles. E vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo o que acontece nesse País acontece por minha causa”, disse Lula em um discurso de 55 minutos para militantes, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (Grane São Paulo). Até o fechamento desta edição, às 15h30, ele ainda estava no sindicato e a Polícia Federal preparava a sua prisão.
O ex-presidente foi para o local na noite de quinta-feira, logo após ter a prisão decretada por Moro. O juiz deu a Lula o direito de se entregar na sede da Polícia Federal em Curitiba até as 17h da última sexta-feira. “Eles sabem que a [TV] Globo mentiu quando disse que era meu [o apartamento tríplex]. A PF mentiu quando disse que era meu. O MPF mentiu quando fez a acusação dizendo que era meu. O Moro mentiu quando disse que era meu. Por isso que sou um cidadão indignado. Já fiz muita coisa nos meus 72 anos, mas eu não os perdoo por terem passado para sociedade a ideia de que eu sou um ladrão”, afirmou o ex-presidente.
Lula acusou ainda o MPF e a imprensa de terem antecipado a morte de sua mulher, Marisa Letícia, morta em fevereiro de 2017 após um AVC (acidente vascular cerebral). Apesar das críticas ao MPF e a Moro, Lula disse não ser contra a Operação Lava Jato. “Não pensem que eu sou contra a Lava Jato, não. A Lava Jato, se pegar bandido, tem que pegar bandido que roubou e prender. Todos nós queremos isso. Todos nós, a vida inteira, dizíamos: ‘[no Brasil] só prende pobre, não prende rico’. E eu quero que continue prendendo rico”, afirmou. Para Lula, o problema da Lava Jato seria subordinar suas ações à imprensa. “Agora, qual é o problema? É que você não pode fazer julgamento subordinado à imprensa. Porque no fundo no fundo você destrói as pessoas na sociedade, a imagem das pessoas, e depois os juízes vão julgar dizem: ‘Eu não posso ir contra a opinião pública porque a opinião pública está pedindo pra cassar’”, disse.
O ex-presidente criticou integrantes do judiciário, que, segundo ele, atuam com base na opinião. “Quem quiser votar com base na opinião pública largue a toga e vá ser candidato a deputado. Escolha um partido político e vá ser candidato”, afirmou .
NOVO PEDIDO NEGADO
Pela manhã, o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou um pedido de liminar feito pela defesa do ex-presidente para suspender sua prisão.
O pedido havia sido feito no âmbito de uma reclamação ao Supremo nesta sexta-feira. A defesa do petista argumentou que a ordem de prisão não esperou o esgotamento dos recursos no TRF-4 (Tribunal Regional Federal). O pedido, no entanto, não foi aceito.