O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), 69, se entregou à Polícia Civil ontem, para iniciar o cumprimento de pena de 20 anos e um mês de prisão por peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro. É o primeiro acusado no chamado mensalão tucano a ser preso.
A prisão ocorre 20 anos após os fatos que motivaram as acusações e 11 anos após a denúncia.
O mensalão tucano é considerado o embrião do esquema de mesmo nome relacionado ao PT e, segundo o Ministério Público, aconteceu durante a fracassada campanha de reeleição de Azeredo ao governo mineiro.
Em 2007, a Procuradoria-Geral da República denunciou ao STF (Supremo Tribunal Federal) 15 pessoas por um esquema de desvio de recursos estatais e empréstimos fictícios que abasteceu a campanha de Azeredo.
Azeredo, que teve o mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça nesta terça, era considerado foragido e policiais passaram o dia em busca do tucano nas ruas de Belo Horizonte.
Ele se entregou às 14h45, na 1ª Delegacia Distrital de Belo Horizonte.
Azeredo perdeu todos os recursos na corte, inclusive os embargos de declaração julgados nesta terça -considerado o último recurso possível antes da prisão. O tucano sempre negou que tenha qualquer participação em irregularidades.
Também nesta quarta, o ministro Jorge Mussi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), negou o pedido de habeas corpus ao ex-governador.
Antes de ter sua prisão determinada, Azeredo disse confiar no habeas corpus. A peça da defesa pedia que ele permanecesse em liberdade ao menos até a publicação do acórdão do Tribunal de Justiça, para que pudesse, ao entrar com recursos no STF e no STJ, pedir o efeito suspensivo da aplicação da pena.