POLÍTICA

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Fórum empresarial "abraça Lava Jato"

Folhapress

| Edição de 18 de janeiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O Fórum de Davos abraçou a Operação Lava Jato, por mais que tenha sido a responsável pela prisão de alguns empresários de grosso calibre, entre eles Marcelo Odebrecht, indicado “jovem líder global” pelo Fórum Econômico Mundial, que organiza todo janeiro esse grande convescote de personalidades.
O abraço foi tão apertado que o chanceler paraguaio Eladio Loizaga fez questão de puxar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para uma “selfie” com seu chefe, o presidente Horácio Cartes.
Pouco antes, Cartes qualificara de “histórica” a Lava Jato, em um debate sobre o futuro da América Latina em que Janot nem sequer estava inscrito para falar.
Mas foi convidado a fazê-lo certamente porque “antigamente sabíamos os nomes dos generais, hoje sabemos os nomes de juízes e procuradores”, como festejou Rebeca Grynspan, responsável pela Secretaria Geral Iberoamericana.
O abraço continuou até depois da sessão: mal se levantou para sair, Janot foi cercado por um empresário mexicano que não apenas o cumprimentou como pediu conselhos sobre como proceder no caso de seu país -tradicionalmente foco de denúncias de corrupção.
Janot foi chamado a falar pelo moderador, o acadêmico venezuelano radicado nos EUA Ricardo Hausmann (Kennedy School of Government), para quem a Lava Jato é algo que “não imaginávamos antes” e que pode servir de exemplo para “combater a corrupção no resto da região”.
Janot agradeceu e atribuiu o sucesso da operação até agora à “independência do sistema judicial do Brasil, seja do Ministério Público, seja dos juízes”.
Janot citou dois pontos principais para os resultados obtidos: a independência institucional do Ministério Público (um dos principais produtos da muito criticada Constituição de 1988) e a cooperação com seus congêneres latino-americanos.
Citou em especial a do Paraguai, talvez como gentileza pela presença na sala do presidente Cartes.
Cartes, ao ser eleito, foi acusado de ser o principal responsável pelo contrabando de cigarros falsificados para o Brasil. Mas o ruído amenizou bastante depois da posse e nos anos mais recentes.