Em tempos de inflação se instalando na economia, quem paga aluguel tem uma preocupação a mais. Além dos aumentos de preços dos produtos básicos, os índices utilizados para os reajustes dos aluguéis também estão em alta. De acordo com dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas, o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) de outubro teve alta de 0,64%. Com esse resultado, o acumulado chega a 16,74% no ano e 21,73% nos últimos 12 meses.
O percentual é o dobro do acumulado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período, 10,25% até setembro. Os índices de reajuste já mobilizam imobiliárias e inquilinos em busca de negociações de preços em Apucarana.
De acordo com corretor de imóveis Antônio Bertholi, as imobiliárias procuram neste momento o equilíbrio entre o valor pago e o valor de mercado para não prejudicar nenhuma das partes. “Independente do índice que é divulgado pelos institutos de pesquisa, sempre procuramos ter o cuidado de verificar se esse valor corresponde a uma realidade de mercado. Nos últimos dois anos, por conta da pandemia, foram feitos muitos acordos, isenções, parcelamentos, e hoje, à medida que vão vencendo os contratos, vamos definindo como será, mas os proprietários estão flexíveis para manter o locatário no imóvel”, revela.
Os reajustes aplicados dependem muito do tipo de imóvel e da negociação com o dono do imóvel, mas em média, os aumentos em Apucarana estão ficando entre 10% a 15%, segundo o corretor. “Vivemos um momento de muita cautela porque esses índices representam um valor muito alto se aplicados na sua totalidade, porém não podemos perder de vista a inflação que está se instalando, então se não aplicarmos aumento, ficaremos defasados e perderemos o valor de mercado, o que, quando acontece, não dá para recuperar depois”, explicou o corretor.
A costureira apucaranense Ivone Aparecida Colodiano já sentiu na pele os efeitos desta alta. De acordo com ela, em seis meses, o valor do aluguel já aumentou pelo menos em R$ 50.
“Na conversa sobre o contrato foi mencionada a mudança de valor em 6 meses. Com receio de perder a locação para outra pessoa, a gente aceita, mas é difícil, com tudo subindo, o salário não acompanha”, considerou a inquilina.
De acordo com o corretor de Apucarana, Paulo Craveiro, a maioria dos contratos já está sendo negociada e, em alguns casos, o índice de reajuste está sendo passado integralmente. “Estamos negociando os valores. Em alguns imóveis já conseguimos chegar a 30% de reajuste, mas isso depende muito, cada caso é um caso. Os proprietários estão flexíveis em relação a isso, os inquilinos pedem muito a negociação. Sabemos que não dá para seguir à risca o reajuste do índice, pela situação econômica que vivemos”, considerou.