A Procuradoria Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pacote de pedidos de aberturas de inquéritos com base na delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), dentre eles duas investigações contra o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e outra que atinge a cúpula do PMDB no Senado.
Caso o ministro Teori Zavascki determine a abertura dos inquéritos, Aécio passará a ser oficialmente investigado em desdobramento da Operação Lava Jato. São duas linhas de apuração contra o senador: uma, a suspeita do recebimento de propina de Furnas, e outra, a acusação de que maquiou dados do Banco Rural para esconder o mensalão do PSDB.
No caso do Banco Rural, também deve ser investigado o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), próximo a Aécio e que, segundo Delcídio, sabia que os dados estavam sendo maquiados.
Na época da divulgação de delação de Delcídio, Aécio classificou de “falsas” e “mentirosas” as acusações.
Outro inquérito solicitado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é contra os senadores do PMDB, Romero Jucá (RR), Jader Barbalho (PA), Valdir Raupp (RO) e Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, sob suspeita do recebimento de propina das obras da hidrelétrica de Belo Monte.
Neste caso, a PGR pediu que os fatos relativos a Belo Monte sejam distribuídos nos inquéritos já existentes contra esses senadores, sem a abertura de um procedimento específico sobre o caso.
Em sua delação, Delcídio afirmou que houve pagamento de ao menos R$ 30 milhões de propina pela construção de Belo Monte, “pagos ao PT e ao PMDB”, e citou esses senadores que devem ser investigados por Janot. Uma quarta investigação mira o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Vital do Rêgo, e o deputado Marco Maia (PT-RS) pela participação na CPI Mista da Petrobras realizada em 2014. Eles foram acusados de participar de um esquema para achacar empresas investigadas pela CPI em troca de recursos para a campanha. Vital era o presidente da comissão e, Maia, o relator.
Para tucano, inquérito vai comprovar as “mentiras”
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu o pedido de abertura de inquérito contra ele enviado ontem pelo Ministério Público ao Supremo Tribunal Federal (STF) e disse ter “convicção de que as investigações deixarão clara a falsidade das citações feitas”.
As solicitações de inquéritos têm por base a delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS). Além de Aécio, também há outro pedido que atinge a cúpula do PMDB.
Em nota, o presidente nacional do PSDB afirmou considerar “natural e necessário que as investigações sejam feitas, pois irão demonstrar, como já ocorreu outras vezes, a correção da sua conduta”.
“Quando uma delação é homologada no Supremo Tribunal Federal, como ocorreu com a delação do senador Delcídio do Amaral, é natural que seja feita a devida investigação sobre as declarações dadas. Por isso, na época, o senador defendeu publicamente que fossem abertas investigações sobre as citações feitas a seu nome”, afirma o texto enviado à imprensa. (Folhapress)