O juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, responsável pela Operação Custo Brasil, decretou o bloqueio de R$ 102,678 milhões do Partido dos Trabalhadores, do ex-ministro Paulo Bernardo e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso há mais de um ano na Lava Jato.
O valor refere-se ao dinheiro que teria sido desviado do Ministério do Planejamento em um esquema envolvendo a Consist, também atingida pela determinação da Justiça.
O bloqueio foi feito em caráter solidário, ou seja, a Justiça pode congelar esse valor dos bens de cada um dos acusados. Posteriormente, depois que o caso for julgado e as responsabilidades individuais forem apuradas, o juiz decide quanto cada um dos condenados deve efetivamente pagar.
Também foi determinado o bloqueio de bens do advogado Guilherme Gonçalves (R$ 7,6 milhões), do administrador Marcelo Matam (R$ 7,6 milhões), do petista Carlos Gabas e do ex-secretário de São Paulo, Valter Correia, (R$ 7,2 milhões cada), e Paulo Ferreira (R$ 755 mil), do jornalista Leonardo Atuch (R$ 120 mil) e dos lobistas da Consugred Adalberto Wagner de Souza e José Silício (R$ 34,1 milhões).
No despacho, o magistrado afirma que dois delatores diferentes apontam “Vaccari como uma espécie de mentor do esquema de desvio de dinheiro do caso Consist” e o PT como “principal beneficiário do esquema”.
LAVA JATO
A Custo Brasil é um desmembramento da Lava Jato que investiga desvios no ministério do Planejamento, comandado por Paulo Bernardo de 2005 a 2011.
Segundo a PF, de 2010 a 2015, a pasta superfaturou em quase R$ 103 milhões em contratos com a empresa de tecnologia Consist. Esse dinheiro teria sido usado para pagar propina a servidores, entre eles o ex-ministro, e para abastecer o caixa do PT. (FOLHAPRESS)