POLÍTICA

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Lava Jato completa três anos com 260 acusados criminalmente

FOLHAPRESS

| Edição de 18 de março de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Maior operação de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro do país, a Lava Jato completou ontem três anos. Tudo começou com quatro investigações da Polícia Federal: Dolce Vita, Bidone, Casablanca e Lava Jato. As três primeiras são nomes de filmes clássicos, escolhidos de acordo com o perfil de cada doleiro investigado. A última fazia referência a uma lavanderia e a um posto de combustíveis em Brasília, que eram usados pelas organizações criminosas. Desde então, já se foram 38 fases da Operação Lava Jato. Nesse período, os investigadores apuraram fatos relacionados a empreiteiras, doleiros, funcionários da Petrobras e políticos.
De acordo com dados do Ministério Público Federal no Paraná atualizados em fevereiro, foram 57 acusações criminais contra 260 pessoas, sendo que em 25 já houve sentença por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e tráfico transnacional de drogas. Até agora, a Lava Jato conseguiu recuperar R$ 10 bilhões aos cofres públicos, entre valores que já foram devolvidos ou estão em processo de recuperação.
Para o procurador da República Diogo Castor, que faz parte da força-tarefa, a operação começou a mudar a ideia de que crimes do colarinho branco ficam impunes. “A Lava Jato democratizou a Justiça Criminal, demonstrou como deve ser uma Justiça Criminal eficiente, uma coisa que o brasileiro não está acostumado. O povo está acostumado ao setor público ineficiente em todas as esferas, desde o Judiciário, Legislativo, Ministério Público. A Lava Jato é a única coisa que deu certo no sistema de Justiça Criminal no Brasil”, avalia.

Imagem ilustrativa da imagem Lava Jato completa três anos com 260 acusados criminalmente
Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato

RISCOS
“A sociedade não pode colocar suas expectativas de modo excessivo no Judiciário contra a corrupção”, pondera o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato. Para Dallagnol, o Congresso precisa caminhar para reformas que atuem na repressão e responsabilização dos crimes.
A exposição dos números nesses três anos de operação e a explicação dos coordenadores ganhou um tom de defesa da Lava Jato. “Basta uma noite no Congresso para derrubar a operação. Revelamos a extensão da corrupção. As provas estão aí para que todos nós possamos vê-las”, disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.
Conforme a Secretaria de Cooperação Internacional (SCI) do Ministério Público Federal, foram realizados 183 pedidos de cooperação internacional dentro da Operação Lava Jato, com 43 países. Nesses três anos, os crimes já denunciados pela Lava Jato em primeira instância envolvem o pagamento de propina de cerca de R$ 6,4 bilhões. O bloqueio de bens dos réus já totaliza a cifra de R$ 3,2 bilhões e metade dos 260 acusados foram acusadas criminalmente, totalizando 1.362 anos de pena.

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