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Lava Jato investiga repasse de R$ 30,7 milhões a Lula

Folhapress

| Edição de 05 de março de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi alvo ontem da 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Aletheia. Foram cumpridos 44 mandados judiciais, sendo 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia. Além de Lula, entre os alvos dessa fase da Lava Jato estão a mulher dele, Marisa, os filhos Marcos Cláudio, Fábio Luis e Sandro Luis, e a nora Marlene Araújo. Na lista de alvos também estão os empresários Fernando Bittar e Jonas Leite Suassuna Filho, assim como Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula. Entre as empresas há a empreiteira OAS e a Gamecorp - do filho de Lula, Fabio Luis.

Essa fase da operação apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. O ex-presidente, que nega as acusações, foi conduzido para prestar depoimento na sede da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas. A determinação da busca e apreensão é do juiz Sergio Moro, de Curitiba. A suspeita é de que Lula tenha recebido R$ 30,7 milhões em repasses suspeitos.

Imagem ilustrativa da imagem Lava Jato investiga repasse de R$ 30,7 milhões a Lula

Segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal que comanda a Operação Lava Jato, o ex-presidente Lula foi “um dos principais beneficiários” de crimes cometidos no âmbito da Petrobras. A nota do Ministério Público Federal diz que, ao longo das 23 fases da Lava Jato, “avolumaram-se evidências” de enriquecimento de funcionários da Petrobras, operadores e partidos políticos. O esquema, diz a nota, era comandado a partir das cúpulas das siglas que integram o governo, especialmente PT, PMDB e PP.

Além de mencionar os casos do sítio e do tríplex, o Ministério Público Federal afirma que há “fortes indícios” de que a empreiteira OAS pagou R$ 1,3 milhão a uma empresa contratada para armazenar pertences de seu período na Presidência. O contrato teve seu “real objeto escondido”, afirma o comunicado, porque a nota fiscal informava que os itens armazenados eram da OAS.

Sobre o tríplex, diz o Ministério Público, surgiram evidências de que Lula “recebeu pelo menos R$ 1 milhão sem justificativa” da OAS por meio de reformas e móveis de luxo implantados no apartamento. Os procuradores afirmam que tudo isso aconteceu de “modo não usual” porque outros apartamentos do condomínio não receberam essas benfeitorias.

“Não podemos ignorar que haja o pagamento de R$ 40 mil pela opção de compra de um apartamento, no qual foram gastos

R$ 700 mil em obras, e que isso simplesmente não seja considerada vantagem”, afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Lava Jato, durante entrevista coletiva em Curitiba.

Ele disse que, no total, R$ 30,7 milhões, entre palestras e doações, foram disponibilizadas para instituições ligadas ao ex-presidente pelas cinco maiores empreiteiras investigadas pela operação. 60% das doações para o Instituto Lula e 47% das palestras pagas para o presidente por meio da empresa LILS vêm dessas companhias.

Lima afirmou que outros favores, que ele considera “muitos”, estão sendo investigados. “Possivelmente sua influência foi usada, antes e depois do mandato -o que é objeto de investigação-, para que o esquema existisse e se perpetuasse.”

No início da noite de ontem, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido apresentado pela defesa de Lula para suspender as investigações contra ele.