Ao confirmar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula disse em reunião das lideranças nacionais do PT ontem, em São Paulo, que a campanha presidencial do partido tem que seguir mesmo que aconteça uma “coisa indesejável”. No dia anterior, o petista teve sua condenação no caso do tríplex confirmada por unanimidade no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), o que pode torná-lo inelegível.
“Espero que essa candidatura não dependa do Lula”, afirmou o ex-presidente. “Essa candidatura só tem sentido se vocês forem capazes de fazê-la mesmo que aconteça uma coisa indesejável. É colocar o povo brasileiro em movimento”, disse. “E nós temos uma arma poderosa. É cobrar deles (Judiciário), todo santo dia, que eles apresentem uma prova de qual foi o crime que eu cometi”, seguiu Lula.
O desembargador Leandro Paulsen, revisor do processo de Lula no TRF-4, mencionou em seu voto que a prisão do ex-presidente poderá ser pedida assim que forem julgados os embargos de sua defesa.
O rigor da sentença encurtou o cronograma projetado pelo PT para brigar pelo registro do nome de Lula na disputa pelo Planalto, mas o partido reitera a intenção de seguir com a candidatura dele.
“Nós não estamos jogando sozinhos no campo”, afirmou o petista no evento. “Nós temos outros candidatos, e as pessoas que me julgaram ainda têm a caneta com tinta e certamente vão tentar criar obstáculo para evitar que o Lula continue andando pelo País falando mal deles.”
A presidente nacional da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PR), voltou a negar no encontro que o PT trabalhe com a possibilidade de um plano B. “Lula é o nosso candidato às eleições de 2018”, afirmou ela no palco, antes de colocar em votação a candidatura do ex-presidente, aprovada por aclamação pelo auditório reunido na sede nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), na região central de São Paulo.
JESUS CRISTO
Lula disse ainda que a candidatura não é uma tentativa de se proteger das ações judiciais e que sua maior defesa é sua inocência. O petista afirmou que às vezes tem a impressão de que as investigações contra ele são “a maior injustiça cometida na humanidade”.
“Não é verdade”, prosseguiu. “Jesus Cristo foi condenado à morte sem dizer uma palavra, recém-nascido. E se o José não corre ele tinha sido morto. [...] Era a tentativa de julgar alguém que vinha para fazer alguma coisa boa.”
“Eu sei que amanhã a imprensa vai dizer: ‘Lula se compara a Cristo’. Longe disso. Mas eu tô apenas querendo relembrar a vocês. Não vai ser uma tarefa fácil. Esse partido passou um monte de tempo gritando que não ia ter golpe e teve golpe.”
Para o ex-presidente, o PT é “vítima de uma trama premeditada” a partir “de um pacto entre Poder Judiciário, a mídia e as instituições outras do Estado brasileiro que constroem uma versão”.
Ele disse ainda ser vítima de um “cartel” dos juízes do TRF-4 que confirmaram a sentença de primeira instância aplicada pelo juiz Sergio Moro e aumentaram a pena.
MST insinua que movimentos não aceitarão prisão do petista
O coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), João Pedro Stedile, disse que os movimentos sociais não aceitarão “de forma nenhuma” a eventual prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A direção nacional do PT se reuniu ontem para reafirmar a candidatura de Lula a presidente da República, um dia depois da derrota do petista por unanimidade no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). “E aqui vai o recado para a dona Polícia Federal e para a Justiça: não pensem que vocês mandam no País. Nós, dos movimentos populares, não aceitaremos de forma nenhuma que o nosso companheiro Lula seja preso”, afirmou Stedile.
“O Poder Judiciário nos deu uma prova de que eles são burgueses. Eles foram didáticos de nos explicar como o Poder Judiciário neste País é antidemocrático e tem lado”, seguiu o líder do MST.
A reunião da executiva, na sede nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), na região central de São Paulo, contou com a presença de Lula. Ele foi recebido ao som do refrão “olê, olê, olá, Lula, Lula”, cantado pelos filiados. (FOLHAPRESS)