O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno das eleições. A votação será no próximo dia 30 de outubro, último domingo do mês. Com 99,99% das urnas apuradas por volta da meia-noite, Lula tinha 48,4% dos votos e Bolsonaro, 43,2% —diferença de mais de 6 milhões de votos.
A realização da segunda etapa do pleito frustra principalmente a campanha do petista, que, na reta final do primeiro turno, investiu na defesa pelo voto útil na intenção de encerrar a disputa neste domingo (2).
Lula venceu em 14 estados e no exterior, enquanto Jair Bolsonaro foi o mais votado em 12 estados e no DF.
Na divisão por regiões, Lula venceu em todos os estados do Nordeste. Já Bolsonaro teve seu melhor desempenho no Centro-Oeste e no Sul, onde teve a maior parte dos votos em todos os estados das duas regiões e no Distrito Federal.
No Sudeste, Bolsonaro ficou à frente em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo; já Lula venceu em Minas Gerais.
O Norte foi a região mais dividida, com Lula à frente em quatro estados (Amapá, Amazonas, Pará e Tocantins); e Bolsonaro, em três (Acre, Rondônia e Roraima).
Em seu primeiro discurso após a votação do primeiro turno, Lula disse que ir para o segundo turno “é apenas uma prorrogação”.
“Durante toda esta campanha, a gente esteve à frente nas pesquisas de opinião pública, de todos os institutos, e eu sempre achei que a gente ia ganhar essas eleições e eu quero dizer pra vocês que nós vamos ganhar estas eleições. Isso pra nós é apenas uma prorrogação”, disse.
Bolsonaro acompanhou a apuração com o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos coordenadores da campanha, e com outros auxiliares. Bolsonaro creditou o resultado das urnas ao impacto da inflação na popularidade do governo. “Eu entendo que tem muito voto que foi pela condição do povo brasileiro, que sentiu o aumento dos produtos. Em especial, da cesta básica. Entendo que há uma vontade de mudar por parte da população, mas tem certas mudanças que podem vir para pior”, disse.
No segundo turno, o presidente afirma que terá mais tempo para comparar seu governo como os do petista. “Temos um segundo turno pela frente onde tudo passa a ser igual, o tempo [de propaganda] para cada lado passa a ser igual. E vamos agora mostrar melhor para a população brasileira, em especial a classe mais afetada, que é consequência da política do ‘fica em casa, a economia a gente vê depois’, de uma guerra lá fora, de uma crise ideológica também”, disse Bolsonaro.