Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quarta-feira seu mais duro pronunciamento em relação à guerra entre Israel e o grupo extremista islâmico Hamas. Pela primeira vez, Lula citou o nome do Hamas em uma nota pública ao condenar os bombardeios em Israel e na Faixa de Gaza e, sobretudo, os ataques a crianças e mulheres.
O petista defendeu que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a comunidade internacional promovam uma “intervenção humanitária internacional” e pressionem por um urgente cessar-fogo. “É preciso que haja um mínimo de humanidade na insanidade da guerra”, disse o presidente.
Lula vinha sendo criticado pela oposição pela forma com que vinha tratando o assunto. Ele não havia mencionado o grupo extremista islâmico em manifestações anteriores. Seguindo a posição da ONU, o Brasil não reconhece o Hamas como um grupo terrorista.
Veja a íntegra da nota do presidente brasileiro:
“Apelo do Presidente Lula em defesa das crianças palestinas e israelenses Quero fazer um apelo ao secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e à comunidade internacional para que, juntos e com urgência, lancemos mão de todos os recursos para pôr fim à mais grave violação aos direitos humanos no conflito no Oriente Médio. Crianças jamais poderiam ser feitas de reféns, não importa em que lugar do mundo. É preciso que o Hamas liberte as crianças israelenses que foram sequestradas de suas famílias. É preciso que Israel cesse o bombardeio para que as crianças palestinas e suas mães deixem a Faixa de Gaza através da fronteira com o Egito. É preciso que haja um mínimo de humanidade na insanidade da guerra. É urgente uma intervenção humanitária internacional. É urgente um cessar fogo em defesa das crianças israelenses e palestinas. O Brasil, na presidência provisória do Conselho de Segurança da ONU, se juntará aos esforços para que cesse de imediato e em definitivo o conflito. E continuará trabalhando pela promoção da paz e em defesa dos direitos humanos no mundo”, diz a nota.
PRESSÃO POLÍTICA
Um grupo de 61 deputados federais quer que o Ministério das Relações Exteriores classifique o Hamas como “organização terrorista”. O objetivo é que a Câmara formalize um pedido para o Itamaraty.
“A declaração oficial do Hamas como organização terrorista é de extrema importância para que o governo brasileiro possa tomar medidas firmes contra a organização”, diz a indicação protocolada nesta quarta-feira pelos parlamentares. O documento faz parte da pressão da oposição, que já se reuniu com o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine.
Comunidade judaica lamenta os ataques
A comunidade judaica de Apucarana lamentou o conflito que desde sábado atinge civis de Israel e da Palestina, no Oriente Médio. A escalada de tensão começou após ataque do grupo terrorista do Hamas que lançou foguetes contra cidades israelenses a partir da Faixa de Gaza. Na sequência, Israel revidou os ataques e declarou guerra ao Hamas. O balanço mais recente das autoridades locais indica que mais de 1,8 mil pessoas morreram no conflito.
Líder da comunidade judaica em Apucarana, Wilson Rubens Alves, acompanha com temor e muita tristeza as notícias que recebe dos amigos que moram em Israel. Alves pertence à Congregação Israelita da Nova Aliança e conta que muitos irmãos do grupo foram para a “Terra Santa” estudar e decidiram permanecer por lá.
Alves classifica a ação do Hamas como covarde e compara o ataque à Guerra de Yom Kippur, em 6 de outubro de 1973, iniciada durante as comemorações judaicas. “Vejo as notícias com muita tristeza. É uma covardia da parte do Hamas, que agiu de uma maneira muito cruel. Eles fizeram a mesma coisa que em Yom Kippur. Só atacam nas festas. Na manhã de sábado os irmãos faziam a leitura da Torá (Bíblia dos judeus) e aguardavam para rebobinar a Torá. O Hamas sabia disso”, comenta o líder religioso na esperança de que o conflito chegue ao fim.(CINDY SANTOS)