POLÍTICA

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Lula mantém discurso eleitoral na sua primeira viagem ao exterior

Da Redação

| Edição de 26 de janeiro de 2023 | Atualizado em 26 de janeiro de 2023
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Na primeira viagem internacional de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insistiu em discursos com tom eleitoral, fez acenos à base do PT e afagou regimes autoritários da América Latina. No compromisso internacional, o petista reiterou a defesa de pautas alinhadas à esquerda, mas, ao tomar posse, afirmara que o Brasil precisava de pacificação e união.

Ao longo de dois dias de agenda oficial em Buenos Aires, onde participou da cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), o petista criticou o antecessor, Jair Bolsonaro (PL), disse que o impeachment de Dilma Rousseff (PT), conduzido pelo Congresso sob a vigilância do Supremo Tribunal Federal (STF), foi um golpe e pediu “muito carinho” na relação com Cuba e Venezuela. Ontem, ele seguiu para o Uruguai, para se encontrar com o direitista Luis Alberto Lacalle Pou.

Para especialistas, Lula marcou uma diferença em relação a Bolsonaro ao fortalecer os laços com a Argentina - país atacado pelo antecessor - ao mesmo tempo que manteve animada a militância ao se queixar, nas falas públicas, das condutas do ex-presidente. Com o Brasil marcado pela polarização, o petista venceu Bolsonaro com margem estreita de votos (50,9% a 49,1%).

“Lula ainda está tentando encontrar um equilíbrio entre o discurso interno e o externo. Quando Lula foi presidente pela primeira vez, ainda não tinha a dinâmica digital que se tem hoje e era mais fácil manter os discursos internacionais dentro de uma certa caixinha, porque esses discursos transbordavam menos para o dia a dia político”, diz Guilherme Casarões, cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Agora, segundo ele, há cobrança dos apoiadores por posicionamentos do presidente, além de maior repercussão dos eventos fora do País. “Lula tem um governo menos petista do que os governos anteriores. Por isso, ele usa as possibilidades que tem de discursar para fazer acenos à militância, incluindo a internacional”, afirma Casarões. Para ele, é “esperado” que Lula siga com as críticas ao antecessor, “ainda mais à luz do que aconteceu no dia 8”, quando as sedes dos três Poderes foram alvo de golpistas.

Nesta terça-feira, Lula citou o episódio em discurso na Celac. “Quero aqui aproveitar para agradecer a todos e a cada um de vocês que se perfilaram ao lado do Brasil e das instituições brasileiras, ao longo destes últimos dias, em repúdio aos atos antidemocráticos que ocorreram em Brasília. É importante ressaltar que somos uma região pacífica, que repudia o extremismo, o terrorismo e a violência política”, afirmou o petista.