POLÍTICA

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Manifesto em defesa da democracia pede respeito ao sistema eleitoral

Estadão Conteúdo

| Edição de 11 de agosto de 2022 | Atualizado em 11 de agosto de 2022
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Oato em defesa da democracia na Faculdade de Direito da USP reuniu ontem, como esperado, representantes de todos os setores da sociedade civil organizada dentro e fora das arcadas do Largo de São Francisco, no centro da capital paulista. Juristas, economistas e líderes sociais reafirmaram que o momento atual, de ataque ao sistema, exige que a defesa do estado democrático de direito e do sistema eleitoral seja permanente, assim como a luta contra retrocessos e o controle das eleições apenas pelo órgão competente: a Justiça Eleitoral, e não por qualquer outra força, em recado indireto às Forças Armadas. 

Após a leitura da Carta às Brasileiras e Brasileiros, organizada pela SanFran, os estudantes presentes pediram “Fora, Bolsonaro” e gritaram “Ditadura nunca mais”.

O manifesto durou cerca de duas horas e foi dividido em duas etapas. A partir das 10h, sob a condução do reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Jr, cerca de 800 convidados se amontoaram no salão nobre da faculdade para ouvir a leitura de outra carta, a elaborada pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Antes, discursos reforçaram o simbolismo da reunião e cobraram medidas eficazes de controle e fiscalização da sociedade daqui até as eleições, em 2 de outubro.

“Queremos eleições livres e tranquilas, um processo eleitoral sem fake news, pós-verdades ou intimidações”, disse Carlotti Jr. Segundo o reitor, após 200 anos de independência do Brasil, a sociedade deveria estar voltada a pensar o futuro, a planejar como resolver problemas graves na educação, saúde e economia. “Mas estamos voltados a impedir retrocessos. Espero que essa mobilização nos coloque novamente no caminho correto, na discussão do futuro de São Paulo e do Brasil.”

Presidente da OAB-SP, Patricia Vanzolini enfatizou que o momento agora é de reafirmação do regime democrático. “Esse é o momento que diremos que sim, nós queremos avançar e não aceitaremos retrocessos”. A advogada relembrou momentos da repressão vividos durante a ditadura militar e afirmou que a sociedade não deve flertar com sistemas que anulem a vida democrática dos brasileiros. “Nós não queremos sentir saudade da nossa democracia e por isso não podemos sequer flertar com a sua ausência”, disse.

O economista e ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, alertou sobre o risco do populismo. “Vivemos hoje num mundo onde ameaças autoritárias populistas às vezes nos assustam. Nós não temos um caminho que não o da liberdade, da democracia e da justiça. É uma situação esdrúxula essa, mas toda nossa energia tem de ficar nesse momento concentrada em salvar o que foi conquistado ao longo dos anos e que é a base do nosso futuro”, diz Armínio.


Ex-ministro destaca união do capital e do trabalho no evento

O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias foi o escolhido para ler a carta da Fiesp. Ele destacou o fato de o ato na Faculdade de Direito da USP reunir empresários, banqueiros e representantes dos trabalhadores, como as centrais sindicais. “Hoje, é um momento grandioso, eu diria inédito, em que capital e trabalho se juntam em defesa da democracia. Estamos celebrando com alegria e entusiasmo o hino da democracia”, disse.

“Todos que estão aqui hoje lutam contra a apatia, lutam contra o populismo, as ameaças, o risco de deixar de lado o melhor de nós mesmos”, ressaltou o empresário Horácio Lafer Piva. “O brasileiro cai e se levanta, sempre, é um povo extraordinário, que merece mais educação, mais oportunidades, jamais a fome, jamais a iniquidade. Nós temos uma constituição, tudo está escrito lá”, disse.

Na segunda parte do ato, já nas arcadas da faculdade - o pátio interno - e com a presença de diversos artistas, estudantes da faculdade se reuniram para ouvir o reitor da SanFran, Celso Campilongo. Em recado às Forças Armadas, Campilongo afirmou que “o estado democrático de direito significa observância do princípio da legalidade e respeito às leis, tudo o que não estão querendo fazer com o nosso sistema eleitoral”, disse.