O publicitário João Santana, que encabeçou campanhas presidenciais petistas (Lula e Dilma), e sua mulher Monica Moura chegaram em São Paulo ontem às 9h21 e foram presos pela Polícia Federal.
Atingidos pela 23ª fase da Operação Lava Jato, iniciada na segunda, ambos foram alvo de mandados de prisão temporária. O voo que veio de Punta Cana, na República Dominicana, estava programado para desembarcar as 10h, mas chegou mais cedo.
Santana, que foi responsável pelas campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), estava na República Dominicana, onde trabalhava para reeleição do presidente Danilo Medina. O pedido de prisão do publicitário repercutiu na imprensa do país.
De São Paulo seguiram para Curitiba, em companhia de um delegado. À tarde, eles passaram por exames no Instituto Médico Legal de Curitiba.
O casal foi o primeiro a descer de uma van da Polícia Federal, que era escoltada por outro veículo e homens armados. Os dois estavam com as mãos para trás, e Mônica usava óculos escuros. Eles não quiseram falar com a imprensa.
Também passaram por exame no IML na mesma tarde, conduzidos pela PF, Benedito Barbosa da Silva Junior, diretor-presidente da construtora Odebrecht, Vinícius Veiga Borin, sócio de uma consultoria que administra carteira de investimentos, e o empresário Zwi Skornicki, lobista de um estaleiro com contratos com a Petrobras.
Os depoimentos de Santana e de sua mulher ainda não foram marcados, mas a expectativa da defesa é que aconteçam hoje. Tofic afirmou que seus clientes “estão machucados, mas tenho confiança que darão todos os esclarecimentos possíveis”.
A principal acusação é que ele e sua mulher, Mônica Moura, receberam US$ 7,5 milhões no exterior de Zwi Skornicki, lobista de um estaleiro que tem negócios com a Petrobras, e de offshores ligadas à empreiteira Odebrecht. De acordo com o juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato em Curitiba, a mulher de marqueteiro sabia que os recursos recebidos eram ilícitos.