POLÍTICA

min de leitura - #

Ministra admite renegociação de dívidas dos produtores rurais

Edison Costa

| Edição de 24 de janeiro de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, admitiu ontem, em Apucarana, que o governo poderá renegociar dívidas dos produtores rurais que já registram prejuízos com adversidades climáticas nesta safra de soja que está em início de colheita. No entanto, a renegociação não será generalizada, afirmando que será estudado caso a caso, conforme as regiões ou lavouras mais prejudicadas.

Imagem ilustrativa da imagem Ministra admite renegociação de dívidas dos produtores rurais


Tereza Cristina participou da Abertura Nacional da Colheita da Soja Safra 2018/2019, realizada ontem na Fazenda Ubatuba, em Apucarana, juntamente com o governador Ratinho Junior (PSD). 
A ministra respondeu a questionamentos feitos pelo presidente da Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), Bartolomeu Braz, sobre questões relacionadas a alterações climáticas que já causaram perdas significativas de produção em áreas de soja não só no Paraná como em outros estados. Segundo ele, há situações em que as perdas são irreversíveis e produtores terão dificuldades para quitar as primeiras parcelas de financiamento.
Ela também foi questionada sobre encaminhamentos do seguro rural e sobre custeio agrícola para a próxima safrinha.
“Nós estamos há apenas 24 dias no governo e há uma ansiedade dos produtores sobre as políticas públicas que vamos adotar. Podem ficar tranquilos”, disse, assinalando que o governo Bolsonaro está empenhado em dar todo apoio necessário à classe produtiva.
Ela ressaltou que o crédito agrícola para a safrinha já se esgotou, mas que sua equipe está estudando uma alternativa para atender os pequenos e médios produtores. Os grandes também receberão auxílio, porém com recursos livres, a um custo mais alto. Sobre o seguro das lavouras ela prometeu um novo modelo que atenda melhor às necessidades do setor produtivo. “O seguro rural será amplo e democrático, será a marca deste nosso governo”, garantiu.
A ministra salientou que hoje todos os ministérios estão trabalhando em conjunto porque um depende de outro para suas ações. “Nesse governo se fala, os ministros se conversam”, disse, para destacar as atribuições que têm hoje os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Neste aspecto, salientou que os produtores não podem ser tachados de agressores do meio ambiente e que a atividade vai continuar sendo feita de forma sustentável. “O Ministério do Meio Ambiente está afinado com o da Agricultura. O que vamos acabar é com a indústria da multa”, disse.
O presidente da Frente Nacional da Agricultura, deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), informou que a frente pretende colocar na Constituição Federal um capítulo definindo o que pode e o que não se pode fazer na propriedade rural. Isso para que o agricultor possa trabalhar sem a interferência de ONGs de toda natureza. “O que não queremos é ver um bando de fiscais entrando nas porteiras das propriedades”, disse.
O evento, transmitido ao vivo pelo Canal Rural, foi encerrado com uma chuva de grãos de soja na frente do recinto colhidos na propriedade. Esta tem sido a maneira tradicional de se comemorar o início da colheita.
Participaram do evento agricultores, representantes do agronegócio de treze estados, o prefeito em exercício de Apucarana, Junior da Femac (PDT) e licenciado Beto Preto (PSD), o presidente do BRDE, Orlando Pessuti, técnicos, prefeitos, deputados e outras autoridades políticas.

Governador Ratino Jr. defende produção de alimentos com valor agregado
Durante o evento, o governador Ratinho Junior (PSD) defendeu seu plano de governo no sentido de fomentar a produção de alimentos. Segundo ele, durante muitos anos o Brasil perdeu tempo por não entender o que estava fazendo, enquanto outras nações se desenvolveram priorizando a sua vocação. “Nossa vocação é produzir alimentos para o mundo”, disse, salientando que esta é também a vocação do Paraná.
Ratinho Junior afirmou que a industrialização e agregação de valor à produção rural, além do aperfeiçoamento da infraestrutura são os principais desafios do Estado para contribuir com o desenvolvimento do setor agropecuário paranaense.
“O Paraná tem o agronegócio como vocação. Mas precisamos avançar. O poder público tem que criar ambiente para que a produção rural seja industrializada ao máximo, porque isso acrescenta valor ao produto e aumenta a renda do produtor”, afirmou.
O Governo do Paraná, afirmou Ratinho Junior, trabalhará pela diversificação de modais para melhorar o escoamento da produção estadual. “Hoje temos um problema, porque produzimos mas não conseguimos escoar com qualidade para mundo. Precisamos de um sistema inteligente de infraestrutura para entregar a produção por um preço menor e de forma mais rápida”, afirmou.
O governador ressaltou que tem um planejamento audacioso para diversificar a infraestrutura, com dois projetos principais. “Um é a ferrovia ligando Maracaju (MT) ao Porto de Paranaguá. O outro é criar a ferrovia bioceânica entre os portos de Paranaguá e Antofagasta, no Chile”, explicou.
Este projeto, destacou Ratinho Junior, vai ampliar as exportações brasileiras, em especial a paranaense, para a Ásia, além de possibilitar a exportação de minério do Chile pelo Porto de Paranaguá. “Isso fará com que o Paraná se torne um hub logístico da América Latina. Poderemos atender todo o Centro-Oeste e o Sul do País”, disse. (E.C.)

“Agricultura é que sustenta o País"
O apresentador de televisão do SBT, Carlos Roberto Massa, o Ratinho, do Grupo Massa proprietário da Fazenda Ubatuba, destacou que a agricultura é que sustenta o País, mesmo nos períodos de crise. “A agricultura é que segura a peteca e não deixa cair”, declarou, defendendo a necessidade de os produtores rurais ficarem livres para trabalhar e terem mais apoio governamental.
Ratinho criticou aqueles que se consideram intelectuais e ficam em gabinetes atrapalhando a atividade produtiva. “No Brasil nós temos um time que trabalha e um time que só atrapalha. Mas graças a Deus, hoje nosso time que trabalha está enfrentando o que não trabalha, assim como acontece na Venezuela”.
Segundo ele, antes quem mandava no País era um grupo de bandeiras vermelhas. “Hoje, se aparecer por aí um desses com bandeira vermelha ele pode levar um pé no ouvido”, disse Ratinho, bastante aplaudido. (E.C.)