O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ontem que “é preciso colocar freios” na atuação dos procuradores da República. Embora não tenha citado nomes, ele se referiu diretamente a procuradores da Operação Lava Jato.
Mendes saiu em defesa de Dias Toffoli, também integrante da corte, que teria sido mencionado em delação premiada da OAS, como informou a revista “Veja”. Para Gilmar, não há elementos para incriminar o colega. O ministro atribuiu o vazamento ao Ministério Público e cobrou a punição dos responsáveis. Ele atribuiu a divulgação da informação sigilosa a uma atitude vingativa dos investigadores, porque Toffoli já decidiu pelo fatiamento de parte da Lava Jato e também concedeu habeas corpus ao ex-ministro petista Paulo Bernardo. “Como eles (procuradores) estão com o sentimento de onipotentes decidiram fazer um acerto de contas”, disse. O ministro afirmou que é preciso colocar um limite nessa atuação. “Quando você tem uma concentração de poderes você tende a isso, a que um dado segmento, que detém esse poder, cometa abusos”, afirmou.
O ministro disse ainda que integrantes do Ministério Público Federal devem “calçar as sandálias da humildade”. Ele classificou ainda de “cretino” quem criou proposta de combate à corrupção defendida pelo juiz Sergio Moro e pelo coordenador da Lava Jato no Paraná, o procurador Deltan Dallagnol. “É aquela coisa de delírio. Veja as dez propostas que apresentaram. Uma delas diz que prova ilícita feita de boa fé deve ser validada. Quem faz uma proposta dessa não conhece nada de sistema, é um cretino absoluto. Cretino absoluto. Imagina que amanhã eu posso justificar a tortura porque eu fiz de boa fé”, disse o ministro.
Mendes voltou a criticar a decisão do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, de suspender as negociações de um acordo de delação premiada com ex-executivos da empreiteira OAS após vazamento de detalhes confidenciais. “Não acho que seja o caso suspender a delação ou prejudicar quem esteja disposto a contribuir à Justiça. Tenho impressão de que estamos vivendo momento singular [...] Depois, esses falsos heróis vão encher os cemitérios, a vida continua”, afirmou o ministro. (AGÊNCIAS)