O presidente Michel Temer deve esperar até a semana que vem para nomear o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) como novo ministro da Secretaria de Governo.
Antonio Imbassahy (PSDB) entregou ontem, em um encontro em São Paulo, sua carta de demissão ao presidente.
A saída do ministro acontece na véspera da convenção nacional do PSDB, onde é esperado que o partido desembarque oficialmente do governo.
A relação entre os tucanos e o Palácio do Planalto já vinha se desgastando ao longo dos meses, mas a situação se agravou nos últimos dias, quando alguns dos principais ministros de Temer passaram a fazer críticas públicas ao partido.
A cúpula tucana vinha pressionando Imbassahy a deixar o cargo, decisão que foi tomada nesta quinta-feira. O ministro vinha evitando comentar o assunto e chegava até mesmo a desligar o telefone quando sua saída era abordada.
Para o lugar do tucano, Temer definiu que nomeará Carlos Marun, mas pretende fazê-lo somente na semana que vem. Isso porque Marun é o relator da CPI da JBS e só deve entregar seu parecer na terça-feira
A CPI foi criada para defender o presidente e melindrar executivos da empresa que gravaram Temer e o acusaram de corrupção.
Deputado de primeiro mandato, Marun ganhou notoriedade durante o período em que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) comandou a Câmara. Cunha está preso há mais de um ano por causa da Operação Lava Jato.
No final do ano passado, Cunha chegou inclusive a ser visitado na cadeia em Curitiba por Marun, que usou recursos da Câmara para fazer a viagem. Depois que a notícia foi divulgada, devolveu o dinheiro.
Marun é um dos principais defensores de Temer e da reforma da Previdência.
Estridente e brincalhão, Marun tem um hábito peculiar: responde pessoalmente -e às vezes de maneira não muito politicamente correta- as críticas que recebe diariamente pelo WhatsApp.
Quando Temer se livrou da segunda denúncia, Marun cantou e dançou para comemorar.