Prefeitos dos municípios que compõem a Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi) estiveram reunidos, ontem, em Jardim Alegre. A pauta foi bastante extensa, mas o destaque ficou para questões ambientais, tais como a preservação do Rio Ivaí e a proposta de não exploração do “fracking” no Vale do Ivaí. A reunião foi presidida pelo prefeito de Ivaiporã, Luiz Carlos Gil (PSDB), vice-presidente da Amuvi, sob coordenação da prefeita local Neuza Pessuti (PMDB). Por questões de saúde a presidente Maria Regina Della Rosa Magri, prefeita de São Pedro do Ivaí, não compareceu.
O convidado Umberto Crispim de Araújo, secretário de Meio Ambiente de Maringá, propôs que os prefeitos da Amuvi, assim como os demais do Paraná onde o Rio Ivaí margeia, assinem um documento para ser entregue ao Governo do Estado pedindo a não instalação de usinas hidrelétricas ao longo dos 685 quilômetros do Rio Ivaí. “Temos que lutar para que o Rio Ivaí permaneça naturalmente livre de hidrelétricas. Construíram 10 usinas no Rio Paranapanema, que se transformou em um grande lago. Hoje não tem oxigênio no rio, porque a água não corre mais e não existe a reprodução de peixes”, comentou Crispim.
O prefeito de Lidianópolis, Celso Antônio Barbosa (PSDB), o Magrelo, falou da preocupação das famílias ribeirinhas com o destino do Rio Ivaí. “Nós temos preocupação com a construção de hidrelétricas sim, principalmente porque as usinas vão atingir as pessoas que sobrevivem da pesca e vários produtores rurais”, destaca Magrelo.
O ex-governador Orlando Pessuti, atualmente diretor administrativo do BRDE, disse que nunca foi contrário à construção de usinas hidrelétricas, até porque a matriz energética do País sempre foi sustentada nesse padrão. Porém hoje, para que isso seja aprovado, é necessária muita discussão.
Devido à complexidade do assunto, Carlos Gil disse que o tema seria novamente debatido na próxima reunião. “A proposição continuará a ser debatida e na próxima reunião colocaremos em pauta. Então decidiremos se a Amuvi assina a proposta unanimemente ou de forma individual”, explicou.
“FRACKING”
Ainda durante a reunião da Amuvi, a ambientalista Sabine Lopes Poleza apresentou um vídeo sobre o “fracking”. O “fracking” é uma tecnologia para a extração do gás do xisto, através da perfuração profunda do solo, onde é inserida tubulação e injetada grande quantidade de água e mais de 600 solventes químicos.
“Estudos comprovam que, nos locais onde o ‘fracking’ foi adotado, ocorreram danos à saúde da população e ao meio ambiente, entre eles, a escassez e contaminação da água e a infertilidade do solo” disse Sabine.