A Polícia Federal deflagrou ontem mais uma etapa da Lava Jato. Denominada “Xepa”, a 26ª fase da operação mira executivos da Odebrecht e doleiros e investiga uma suposta estrutura interna na empreiteira para pagamento de propinas em setores, inclusive relacionadas à Petrobras. Somente em duas contas ligadas a esse setor paralelo estima-se R$ 91 milhões em pagamentos suspeitos de serem ilícitos.
Essa estrutura, segundo o Ministério Público Federal, incluiria até uma área específica na empreiteira, chamado de “Setor de Operações Estruturadas”, que operava as práticas ilegais.
No Rio de Janeiro, Roberto Prisco Ramos, ex-presidente da Odebrecht Óleo e Gás e executivo da empreiteira, teve decretada prisão temporária. Outro alvo foi Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho, suposto controlador de contas secretas da empreiteira. Foi decretada prisão preventiva contra ele.
Em primeiro depoimento à PF em fevereiro, Maria Lúcia Tavares, apontada como uma espécie de gerente da contabilidade paralela da construtora, afirmou que a menção a “acarajés” em e-mails trocados com Mascarenhas e Ramos refere-se a “porções de acarajé para entrega no Rio de Janeiro/RJ em um escritório”. Para a polícia, porém, o nome do quitute baiano é um codinome para propina.
Em São Paulo, três presos cujos mandados foram cumpridos na capital paulista e um de Jundiaí foram encaminhados para Curitiba. Isaias Ubiraci Chaves Santos e João Alberto Lovera -este, preso em Jundiaí- foram alvo de prisão temporária e os irmãos Marcelo Rodrigues e Olívio Rodrigues Júnior foram presos preventivamente. Um deles conversava com agentes policiais sobre arquivos de computadores da Odebrecht.
Para os investigadores, o Grupo Odebrecht mantinha um esquema de contabilidade paralela para pagar propina a pessoas ligadas ao poder público.