O verão no norte do estado traz todos os anos dois problemas urbanos crônicos: a dengue e o matagal generalizado. Problemas que, de certa maneira, estão interligados. Chove muito e as temperaturas aumentam, condições que são propícias tanto para o mosquito Aedes aegypti - e a divulgação dos últimos dados do Lira semana passada está aí para comprovar isso -, quanto para o crescimento da vegetação. Onde tem mato, tem lixo e água parada. O resultado todo mundo sabe e conhece. Insetos e pragas de todos os tipos e dor de cabeça para quem mora por perto.
Por conta dessa relação entre limpeza pública e saúde, as prefeituras começaram a adotar legislações mais duras para tentar quebrar esse círculo vicioso de problemas. A adoção de multas para proprietários de imóveis onde os agentes encontram focos do mosquito de maneira reincidente e a possibilidade de cobrar pelo serviço de limpeza feito pelo município em áreas privadas que não são limpos pelos proprietários - o popular terreno baldio - são medidas adotadas pela maioria dos municípios da região.
É um avanço, sem dúvida, mas que só resolve a questão emergencialmente, principalmente em relação à questão de limpeza pública. Não há servidor público suficiente para manter a cidade limpa durante o verão. Nem é justo exigir isso da administração municipal, cuja obrigação é manter limpas as áreas públicas e tão somente isso.
A discussão a respeito do mato, do lixo e da responsabilidade de cada um neste processo é, na verdade, uma discussão a respeito de vida em comunidade, um conceito que, infelizmente, apesar de muito discutido é pouco colocado em prática.
O ciclo do lixo e da sujeira é resultado de uma sucessão de erros e posturas que começa na postura irresponsável de proprietários de áreas que esquecem que o direito patrimonial implica também em deveres e passa pelas pessoas que ao se deparar com um terreno vazio com mato alto para se sentem autorizadas a fazer do espaço um ponto de descarte de entulho, móveis velhos e outros materiais.
Essa falta de entendimento sobre vida pública, frise-se, passeia por outros pontos.
Está no motorista que coloca em risco a vida dos outros ao fugir de uma blitz da PRF porque não pagou os impostos do veículo e não quer enfrentar as consequências administrativas deste fato, está naquele que estaciona na vaga de deficiente físico e idoso ‘rapidinho’ e vai seguindo de desvio em desvio moral e legal até tomar as proporções épicas que as investigações da Operação Lava Jato têm desnudado. Mudar o país implica também em uma mudança de postura nessas ‘pequenas’ coisas do cotidiano.
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