POLÍTICA

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Para Beto Preto, Apucarana rompeu com o passado político

Edison Costa

| Edição de 25 de setembro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O prefeito de Apucarana, médico Beto Preto (PSD), que concorre à reeleição, é o entrevistado de hoje da Tribuna do Norte. Segundo ele, a partir de 2012, quando foi eleito, começou em Apucarana uma ruptura política com o passado que deu novos rumos para o município. Uma ruptura que, conforme assinala, tirou de cena atores da antiga política. Na sua opinião, Apucarana vive hoje um tempo de obras e bem estar social e precisa agora seguir em frente.

Imagem ilustrativa da imagem Para Beto Preto, Apucarana rompeu com o passado político

TRIBUNA DO NORTE – Por que o sr. quer mais um mandato de prefeito?

BETO PRETO – Nós começamos um processo de ruptura com o passado em 2012 que mudou os rumos de Apucarana. Conseguimos alavancar diversas ações administrativas, programas de governo e obras de infraestrutura.

Todo esse processo foi construído junto com a população e nós temos mais coisas que estão para acontecer agora. Por isso que encaro esta oportunidade de colocar meu nome à disposição como resultado daquela ruptura de 2012 e que estamos avançando a partir de agora. Por isso temos condições de ampliar este mandato popular do bairro para o centro.

TN – Como avalia a situação da Prefeitura quando assumiu em janeiro de 2013 e como está hoje?

BETO PRETO – Apucarana é uma das cidades mais endividadas do Paraná, infelizmente pela ação daqueles prefeitos que administraram o município nos últimos doze anos que me antecederam. Agiram de forma pouco responsável perante os cofres públicos.

Pagamos R$ 50 milhões de dívida e todos os meses somos surpreendidos pela chegada de mais cobranças. Na semana passada chegou uma nova cobrança de precatório que vai somar mais R$ 4 milhões na dívida consolidada, remontando assim cerca de R$ 115 milhões. Outros R$ 280 milhões permanecem em discussão judicial e são resultado dos empréstimos feitos em 94 e 95 no mandato de um ex-prefeito.

Pagamos R$ 50 milhões e investimos mais outros R$ 50 milhões. Imagina se não tivesse que pagar esses R$ 50 milhões de dívida, quantos investimentos não poderiam ter sido feitos mais ainda?

TN – Como avalia a situação de Apucarana do ponto de vista econômico e político, hoje, no contexto regional e estadual?

BETO PRETO – A economia está mantendo o município equilibrado a duras penas. Já do ponto de vista político conseguimos adquirir um marco referencial, pois voltamos a discutir os assuntos macrorregionais como o traçado da Ferrovia Norte-Sul, o Trem Pé Vermelho, duplicação das entradas da cidade, antecipação da duplicação da rodovia BR-376 entre Apucarana e Califórnia, que estava prevista somente para 2021, e antecipação da duplicação do trecho até Jandaia do Sul, tendo em vista a construção do viaduto do Pirapó.

Nós colocamos Apucarana na discussão do cenário macrorregional. A Região Metropolitana de Apucarana é um projeto muito importante para o Vale do Ivaí.

Ainda do ponto de vista político, como prefeito participamos de grandes debates em Brasília e Curitiba sobre o Norte do Paraná e o Estado. Estamos preparando o futuro.

TN – Que ações considera mais importantes que foram realizadas nesses quatro anos de mandato?

BETO PRETO – Na educação tivemos um salto de qualidade nunca antes visto. Estamos reformando 40 prédios escolares dos 60 existentes. Construímos três creches e uma escola nova, além de outras três creches ainda em construção. Também dotamos as escolas de mobiliário novo, linha branca nova para todas as creches e escolas, material escolar, uniforme escolar, alimentação de excelente nível com acompanhamento rígido de nutricionistas, 400 bibliotecas itinerantes e TV 29 polegadas em todas as salas de aula, entre outras ações. Encontramos metade dos banheiros das escolas sem funcionar em 2013, hoje a realidade é outra.

Na área de geração de emprego e renda, estamos preparando o Parque Industrial da Juruba, com 240 lotes de 1.500 m2. Implantamos o programa Terra Forte da Agricultura, que valoriza a produção da agricultura familiar de Apucarana. O projeto Rede de Mulheres Solidárias conta com mais de 300 pessoas cadastradas.

Estamos consolidando o maior programa habitacional da história de Apucarana em um único mandato, com 1.301 casas já entregues, além de outras 1.020 em construção e as unidades na Faixa II do programa Minha Casa Minha Vida, que chegam a 1.300 moradias. Somando esses números às casas do Minha Casa Minha Vida construídas de forma isolada pelos mutuários vamos chegar a 4 mil moradias entregues, em construção ou em fase de aprovação.

Temos um novo Plano Diretor, que está possibilitando investimentos imobiliários na verticalização com a construção de prédios e apartamentos.

Na área de infraestrutura, pavimentamos 23% da malha viária urbana. Também já fizemos o recape de várias vias por onde passa o transporte coletivo urbano e estamos fazendo o programa Interbairros ligando pequenos trechos pavimentados como entre o Catuaí ao Parigot de Souza e o viaduto do João Paulo.

Também podemos citar outras ações como melhoria da iluminação pública da cidade e revitalização do Parque Jaboti com pista de caminhada iluminada.

Na área de saúde, duplicamos a oferta de consultas e exames. Acabamos com a fila de espera por consultas médicas nas madrugadas nos postos de saúde. Melhoramos os índices de vacinação. Implantamos o Programa Mais Médicos trazendo 13 médicos cubanos para auxiliar o trabalho dos médicos brasileiros.

Construímos a nova sede do Cisvir. Criamos o Centro de Especialidades Médicas da Autarquia Municipal de Saúde, diminuindo as filas de espera. Implantamos o mutirão de cirurgias diversas como de varizes, hérnia, cataratas, cirurgia infantil, ortopedia e outras.

O maior programa de implante dentário do Paraná é em Apucarana, com mais de 3 mil pacientes atendidos em três anos. O laboratório de dentaduras, que produzia 30 peças por mês, hoje produz 200.

A Farmácia Central está em novas dependências e construímos três novas UBS.

Apoiamos o Hospital da Providência elevando o repasse mensal de R$ 1,2 milhão para R$ 2,7 milhões e fizemos ação política junto ao governo do Estado para o projeto e construção do novo Materno Infantil, orçado em R$ 10 milhões.

Na área de cidadania destacamos o Patronato Municipal, por onde já passaram mais de 400 pessoas e é modelo no Paraná.

Na área de esportes, reformamos o Ginásio do Lagoão e depois de 19 anos Apucarana voltou a sediar os Jogos Escolares e Jogos Abertos do Paraná. Neste ano ainda teremos o Bom de Bola Paraná e a final dos Jojup’s.

TN- Adversários apontam algumas propostas de seu plano de governo da eleição passada que não foram executadas, entre elas eleição de diretores de escolas e o novo parque industrial. Como recebe essas críticas?

BETO PRETO – Eu fiz tudo que podia fazer, integralmente ou em parte. O que constava no plano de governo de 2012 está sendo cumprido ou em cumprimento. E posso dizer que fiz muito mais que os dois prefeitos que me antecederam, cuja ruptura política estabelecida em 2012 tirou de cena esses atores da política antiga.

O que importa hoje é que a população está tendo acesso a muitos serviços que não tinha antes, como alguns bairros onde há 40 anos os moradores sofriam com o barro e a poeira. Isso acabou porque entendemos o asfalto como benefício social e não como favor político.

TN – O sr. tem dito que um dos entraves neste mandato foram as dívidas herdadas das duas últimas administrações. Este problema já está sanado para a próxima gestão?

BETO PRETO – Não. Ser prefeito de Apucarana é uma responsabilidade enorme, porque têm dívidas insolúveis, que temos que conviver com elas. Não gosto de falar de sonho, mas se pudesse aqui exercitar a arte do sonho, imagine se não houvesse tantas dívidas para pagar, o que não teria sido feito a mais? Muitas falas de políticos sobre dívidas demonstram falta de conhecimento ou que está agindo de má fé.

TN – Quais as suas principais propostas de trabalho para um futuro mandato?

BETO PRETO – Continuar com o modelo de trabalho que já emprego na administração, que consiste em enfrentar problemas, resolver crises e criar soluções. Às vezes, nas maiores crises é que obtemos as maiores soluções. Creio e coloco isso como uma proposta de trabalho que devemos continuar, que é de austeridade e credibilidade à frente da administração municipal.

Entre as principais ações que pretendemos executar estão o programa Praça Viva, que visa a revitalização de 50 praças de bairros; ampliação das consultas médicas de pediatria para 6 mil ao mês; ampliação do chamado turno do trabalhador com a abertura de mais postos de saúde à noite com consultas; implantação da ortodontia no Centro de Especialidades Odontológicas; reforma de todos os prédios escolares; remodelação do Terminal Urbano e da Feira do Produtor; retomada do Terminal Rodoviário junto à concessionária com reforma e manutenção; término da Praça do Japira; efetivação da primeira etapa do Parque Industrial da Juruba; e operacionalização do Polo das Facções próximo à Estação Ferroviária.

TN – Quando o sr. estava no PT Apucarana conseguiu muitos recursos do governo petista. Agora que está no PSD o sr. dispõe de novos canais políticos para buscar recursos federais?

BETO PRETO – Eu fui diretor do Ministério da Saúde, vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e vice do conselho do Conasems em Brasília. E há 18 anos mantenho estreita ligação com Brasília e Curitiba.

Agradeço muito as lideranças políticas que nos ajudaram a abrir as portas para o município. Na condição de prefeito, vou trabalhar na defesa dos interesses de Apucarana todos os dias do meu mandato. E tenho certeza que este relacionamento de alto nível terá continuidade se reeleito.

TN – Como avalia a pesquisa DataSonda que aponta uma vitória esmagadora sua no pleito de 2 de outubro?

BETO PRETO – Agradeço a indicação do meu nome na intenção de votos. Isso só faz aumentar minha responsabilidade perante a população. Este resultado demonstra o sentimento de unidade no município em torno de um projeto político para Apucarana. Num ambiente político tão deteriorado conseguimos administrar a cidade com respeito a todos os apucaranenses. Espero não ter decepcionado ninguém neste mandato e trabalho duro olhando para frente para fazer este município avançar ainda mais. Nós administramos Apucarana pela essência e não pela aparência. E vamos em frente.