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Paulo Bernardo é preso por esquema que desviou R$ 100 mi

Folhapress

| Edição de 24 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, foi preso preventivamente na manhã de ontem durante a Operação Custo Brasil, da Polícia Federal (PF), realizada após desdobramento da Lava Jato. Ele foi detido em Brasília, no apartamento funcional onde estava com a mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). A casa dos dois em Curitiba também foi alvo de buscas. O petista foi levado de avião à sede da PF em São Paulo.

Imagem ilustrativa da imagem Paulo Bernardo é preso por esquema que desviou R$ 100 mi

Segundo as investigações, um escritório ligado a Paulo Bernardo recebeu cerca de R$ 7 milhões entre 2010 e 2015 por meio de esquema que funcionava no Ministério do Planejamento, segundo o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal. Investigadores encontraram indícios de que foram desviados R$ 100 milhões de um serviço de gestão do crédito consignado a funcionários públicos.

O valor que foi recebido pelo escritório ligado a Bernardo foi apurado com base em notas fiscais do Grupo Consist, contratado pelo esquema para operacionalizar o crédito consignado a funcionários públicos da União. A Consist é apontada pelo juiz Sérgio Moro, à frente da Operação Lava Jato, que investiga o esquema na Petrobras, por ser responsável pelo pagamento de propina a partidos e políticos.

De 70% dos R$ 100 milhões desviados no esquema no período de 2010 a 2015, Paulo Bernardo teve direito a quantias que variavam de 2% a 9,5%, dependendo de sua função no governo. O restante do total do esquema - 30% - ficava como pagamento para a Consist pelo serviço.

A quantia percentual de Bernardo era direcionada por meio de escritório de advocacia que prestou serviços de forma “laranja”, segundo Andrey Borges de Mendonça, procurador da República que investiga o caso. O escritório ficava em média com 20% do valor total. “Os R$ 7 milhões foi o que se apurou em notas da Consist para o escritório de advocacia. O que apuramos foi que 80% do total repassado ao escritório [cerca de R$ 5,6 milhões] ia para Paulo Bernardo”, disse Mendonça.

Durante a operação da PF ontem, o ex-ministro da Previdência e da Secretaria da Aviação Civil Carlos Gabas, amigo pessoal da presidente afastada Dilma Rousseff, e o jornalista Leonardo Attuch, dono do site “Brasil 247”, foram chamados a depor voluntariamente. A residência de Gabas em Brasília e a sede do “Brasil 247” ainda foram alvo de busca e apreensão.

O secretário municipal de Gestão de São Paulo, Valter Correia, também foi detido e sua casa foi alvo de busca e apreensão -ele já trabalhou no Ministério do Planejamento.

Outro alvo de prisão preventiva foi o advogado Guilherme Gonçalves, que atuou nas campanhas de Gleisi Hoffmann. Ele está em Portugal e se apresentará à PF assim que chegar ao Brasil, afirmou seu advogado.

Também foram alvos de buscas a sede nacional do PT, em São Paulo, e a sede do partido em Brasília.

A operação foi batizada de Custo Brasil porque, segundo os investigadores, o suposto esquema de corrupção é “um exemplo de como a corrupção prejudica o cidadão e aumenta o custo para cidadãos e empresas”. Esta é a primeira operação da PF em São Paulo fruto de desdobramento da Lava Jato.

A defesa do ex-ministro Paulo Bernardo negou que a contratação da Consist teve seu aval e chamou a prisão do ex-ministro de ilegal.