POLÍTICA

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Polêmico, Bolsonaro tem fãs e críticos ferrenhos em Apucarana

Renan Vallim

| Edição de 05 de março de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Por onde passa, o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PP-RJ) conquista, ao mesmo tempo, críticos ferrenhos e seguidores devotos. Pelo que se vê, fica quase impossível se manter indiferente à esta figura, que para muitos é a resposta para os problemas do país e, para outros tantos, o reflexo da ascensão de uma extrema direita retrógrada. A Tribuna conversou com simpatizantes do político em Apucarana para buscar entender o motivo da crescente aceitação de Bolsonaro.
Entre os apoiadores do político ouvidos pela reportagem, dois temas centrais se fizeram presentes: segurança pública e combate à corrupção. De acordo com eles, esses dois pontos são os que mais atraem simpatizantes para o lado do deputado. O contabilista de Apucarana, Michel Douglas, é um dos que apoiam Bolsonaro. Segundo ele, o político diz aquilo que a população quer ouvir.

Imagem ilustrativa da imagem Polêmico, Bolsonaro tem fãs e críticos ferrenhos em Apucarana
Bolsonaro gera polêmica entre eleitores (Foto: Divulgação)

“Ele fala aquilo que uma parcela do povo pensa. Muita gente sempre esperou um político que falasse o que ele fala. Que lutasse contra privilégios para bandidos, por mais apoio a policiais militares e que não está envolvido em crimes de corrupção. Muita gente está cansada do que acontece hoje: a lei não é aplicada para o bandido, desarmamento para civis enquanto a marginalidade anda armada, policiais sem qualquer respaldo para trabalhar, entre outras questões”, destaca.

Parlamentar desde 1991, Bolsonaro só foi ganhar os holofotes recentemente. O político se aproveita desse panorama de descontentamento, se estabelecendo como uma figura contra aquilo que chama de ‘politicamente correto’. Com isso, a parcela mais progressista da população se mostra contrária ao que propaga o deputado. Muitos inclusive o acusam de propagar o ódio a minorias. No entanto, seus defensores acreditam que há uma distorção nessa interpretação.

“Bolsonaro sempre declarou que todos devem ser iguais perante a lei. A ideia de que ele é contra minorias é errada. Ele só é contra privilégios que algumas minorias recebem. Mas ele sempre falou que não tem nada contra ninguém e que cada pessoa deve ter seus direitos respeitados, sem ter prejuízos ou vantagens sobre ninguém”, diz Michel.

O radialista apucaranense Marcelo Fábio Quartim também se identifica com as ideias de Bolsonaro. “Acredito que ele possa ser a pessoa que muita gente espera. Aquela que vai iniciar a moralização do país. Não que ele seja o ‘salvador da pátria’, mas o que posso ver é que ele não se contradiz, é transparente e se mostra com vontade de combater a corrupção e defender o cidadão”, diz.

Jair Bolsonaro já anunciou que deverá disputar as próximas eleições para presidente, em 2018, o que anima seus defensores. “Acredito que ele irá brigar pela presidência, mas não acredito que irá ganhar. Há uma campanha muito forte contra ele, inclusive da própria direita. Acho que a própria classe política tem medo de que ele se eleja e faça tudo o que fala para combater a corrupção”, afirma Marcelo.

O professor de História, Edmilson Rodrigues da Silva, é um exemplo de crítico ferrenho de Bolsonaro. A crítica é estruturada em dois pontos: atuação política e a defesa de ideias pessoais. “Como político é um zero à esquerda, porque durante todo esse tempo como deputado federal não apresentou um projeto de lei, o que o tornou inútil”, avalia Magrão, como é mais conhecido. Bolsonaro está em seu sexto mandato como deputado federal.

Já quanto as ideais, o professor entende que o deputado faz defesas baseadas na sua concepção de pessoal de mundo, como o combate puramente repressivo às drogas e ao aborto, além da liberação do porte de arma.

Ascensão da extrema-direita prejudica direitos, diz analista
De acordo com o analista político Elve Miguel Cenci, a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro é global. “Saídas à direita e até mesmo à extrema-direita são mais suscetíveis de acontecer em momentos de crises econômicas. Especificamente no Brasil. a polarização política contribuiu para esse aspecto. O PT, que era de centro-esquerda, migrou aos poucos para o centro. Já o PSDB, que era centro-direita, foi indo cada vez mais à direita. Esse panorama abre espaço para que discursos mais à extrema-direita ganhem força. Também o fato dos políticos não terem ouvido a voz das manifestações desde 2013 contribuiu para isso”, diz.

Segundo ele, o fator preocupante é que o discurso de Bolsonaro traz um conservadorismo que vai de encontro a direitos conquistados a duras penas e ao longo de décadas, como os Direitos Humanos.

“Bolsonaro está em um partido menor, que teoricamente teria pouco tempo de TV em 2018, o que dificultaria a eleição. No entanto, não há nada definido nos partidos maiores. Não há pré-candidatos ainda, diferente de eleições passadas. Isso pode beneficiar Bolsonaro, que já está na ‘estrada’, além de se apresentar como uma alternativa para a política tradicional. Depois da eleição de Trump nos EUA, é difícil dizer que algo não pode acontecer”, afirma Cenci