Passados noventa dias da posse, ocorrida no dia 1º de janeiro, alguns prefeitos do Vale do Ivaí ainda não têm toda equipe de secretários formada. Também continuam segurando a nomeações em cargos comissionados, como forma de manter enxuta a folha de pagamento. A crise econômica e política por que passa o País e a possibilidade de mais corte de repasses de recursos federais têm obrigado prefeitos a frear despesas em todos os setores neste primeiro semestre.
Em Apucarana, duas secretarias continuam sendo dirigidas por superintendentes, acumulando as funções de secretários. É o caso da Secretaria de Indústria e Comércio, e da Secretaria do Meio Ambiente.
Ao mesmo tempo, conforme anuncia o prefeito Beto Preto (PSD), o decreto que veta a nomeação de servidores deve perdurar por mais algum tempo. “Infelizmente, a crise financeira nacional atingiu também os municípios. Estamos conseguindo cumprir nossos compromissos, mas é mais prudente se resguardar, para não prejudicar obras, serviços e programas”, avalia o prefeito de Apucarana e presidente da Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi), Beto Preto.
Para ele, os municípios devem buscar uma postura mais participativa e exigir dos estados e da União uma discussão sobre o difícil panorama administrativo-financeiro das cidades. “Os cidadãos vivem nos municípios, nos bairros, distritos e zona rural e é nesses locais que eles precisam de segurança pública, boas escolas e creches, serviços de saúde e zeladoria. Por isso precisamos discutir e viabilizar um novo pacto federativo, com mais autonomia para os municípios”, defende Beto Preto.
Em Arapongas, o prefeito Sérgio Onofre da Silva (PSC) decidiu manter Rogério Trindade acumulando os cargos de secretário de Finanças e de tesoureiro.
A princípio, ele tinha como intenção nomear para a Secretaria de Finanças o professor e economista Rogério Ribeiro, da Unespar/Fecea. Como o governo do Estado não o liberou para trabalhar na Prefeitura de Arapongas, Onofre decidiu manter Trindade acumulando as duas funções.
As secretarias de Ação Social e Segurança Alimentar também estão sendo conduzidas cumulativamente por Ismailda Lima, situação que deverá perdurar por tempo indeterminado. “Aliás, agora eu nem pretende nomear outra pessoa para a Segurança Alimentar”, afirma Onofre. Segundo ele, a “Nina”, como é conhecida a secretária de Ação Social, está dando conta do recado.
Além disso, o prefeito assegura que precisa segurar a folha de pagamento no seu limite prudencial. “Eu consegui baixar o índice de gastos para 50% neste começo de mandato e preciso manter este ritmo”, afirma Sérgio Onofre. Em função disso, ele também mantém estagnado o processo de nomeações em cargos comissionados. Segundo ele, até agora foram preenchidos apenas cargos considerados essenciais para o funcionamento da máquina administrativa.
Limite de gastos com folha é problema
Em Jandaia do Sul não há secretarias no quadro administrativo da Prefeitura, apenas departamentos com “status” de secretaria. O prefeito Benedito José Púpio (PSC), o Ditão Púpio, diz que alguns departamentos, como o de Cultura e o de Esportes, não têm titular definitivo. Eles estão sendo conduzidos pelos próprios funcionários. O de Esporte, inclusive, está vinculado ao Departamento de Educação.
“Estamos procurando trabalhar com uma equipe enxuta para não onerar a folha de pagamento”, explica o prefeito. Ele observa que a folha salarial do funcionalismo atingiu o índice prudencial de 52% do orçamento municipal, portanto está no equilíbrio. “Não podemos deixar ultrapassar este limite para evitar problemas com o Tribunal de Contas”, justifica.
Quanto aos cargos comissionados, Ditão Púpio assinala que existem apenas 34 e nem todos estão preenchidos. “Do jeito que está, dá para ir tocando”, assegura.
Além de segurar nomeações, o prefeito diz que também está adotando outras medidas de contenção de gastos. “Tudo que é desperdício temos procurado evitar”, afirma. (E.C.)