Com receio de retaliações no Congresso Nacional, o presidente interino, Michel Temer (PMDB), tem recomendado à equipe ministerial que não se envolva publicamente nas campanhas municipais deste ano.
Ele teme que, diante do esforço de votar uma pauta econômica no início do segundo semestre, a participação do governo federal em disputas regionais possa criar desavenças com bancadas da base aliada e, assim, impactar a aprovação de medidas como o teto de gastos e as reformas previdenciária e trabalhista.
Nas palavras de um auxiliar presidencial, o peemedebista compreende que os ministros têm um papel político no processo eleitoral, mas ele quer que atuem da maneira mais discreta possível para não criar um estresse desnecessário com o Congresso Nacional.
A maior preocupação do presidente interino tem sido São Paulo, disputa com a participação de três candidatos da base aliada: Marta Suplicy (PMDB), João Dória (PSDB) e Celso Russomanno (PRB).
Em conversas reservadas, ele reconhece que, como presidentes nacionais de suas siglas, os ministros Gilberto Kassab (Cidades) e Marcos Pereira (Desenvolvimento) não deixarão de participar de costuras políticas, mas defende que eles evitem subir em palanques eleitorais ou façam críticas públicas a candidatos de partidos adversários.
Para evitar saia-justa com siglas aliadas, o próprio presidente interino, que é também presidente nacional licenciado do PMDB, decidiu não participar de nenhuma campanha eleitoral no primeiro turno das eleições municipais.
Ele já avisou, por exemplo, que não iria comparecer a convenção de ontm, na capital paulista, que que iria a candidatura de Marta Suplicy. Nos bastidores, contudo, participou da articulação para o apoio de Andrea Matarazzo, do PSD, à candidatura da peemedebista.