O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou ontem, durante café da manhã com jornalistas, que só dará prosseguimento ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) esclarecer dúvidas que afirma terem restado sobre o trâmite.
Cunha disse que já está preparando um recurso ao Supremo chamado de embargos de declaração, que serve para esclarecer dúvidas sobre o julgamento, e que deve ser protocolado em 1º de fevereiro, logo na volta dos trabalhos do Judiciário.
Segundo ele, só depois disso é que será dado prosseguimento, imediatamente no dia seguinte. "Não há nenhum intuito de protelar", afirmou Cunha.
"Vamos supor que o plenário aprove e a gente vai instalar a comissão especial. Quando instalar a comissão especial vai ser como? Vai ser eleição secreta ou aberta? Vai poder ter candidaturas [avulsas] ou não vai ter candidaturas? Então vai gerar um impasse no primeiro dia, é preferível que esclareça, porque eles não esclareceram esse rito todo", declarou Cunha.
"A gente ainda não tem segurança total de como dar essa continuidade", resumiu.
Em dezembro, Cunha aceitou um pedido de impeachment contra Dilma, que então começou a tramitar na Câmara.
Na última segunda (28), o Tesouro anunciou que pagará ainda neste ano a sua dívida com as pedaladas, no valor de R$ 57 bilhões.
Cunha afirmou que o fato de o governo querer fazer esse pagamento mostra sua preocupação, mas não invalida o processo do impeachment. Segundo ele, o processo se baseia na edição de decretos de liberação de mais verbas em 2015 sem o aval do Congresso.
CONTAS NO EXTERIOR
Cunha afirmou ainda no café da manhã com jornalistas que "dará de presente" caso sejam encontradas novas contas dele no exterior, além das quatro já localizadas na Suíça pela procuradoria do país. Questionado sobre as acusações da delação do empresário Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia, de que teria pago propina a Cunha em conta no Israel Discount Bank e em outras duas contas no banco BSI e no Merril Lynch, o presidente afirmou que tem "zero" relação.
Anteriormente, Cunha havia negado possuir contas no exterior, mas o Ministério Público da Suíça remeteu à PGR a existência de quatro contas ligadas a ele naquele país. O peemedebista argumenta que três delas se tratavam de trusts, figura na qual os recursos são entregues para terceiros administrarem, por isso os recursos não seriam seus diretamente. Uma quarta conta é de despesas de cartão de crédito de sua mulher, Cláudia Cruz.
"Estou absolutamente tranquilo, não tenho preocupação nenhuma", completou. Cunha disse que tudo que possuía no exterior já "está sendo por mim explicado". "O resto não existe, isso é fantasia. Eu já faço antecipadamente a oferta de assinar qualquer documento necessário em qualquer natureza, façam o documento que quiser que eu assino", declarou.