POLÍTICA

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Ratinho Júnior promete reduzir secretarias e acabar com regalias

Edison Costa

| Edição de 30 de setembro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Com Ratinho Júnior (PSD), a Tribuna encerra hoje a série de entrevistas com os candidatos ao governo do Estado melhor colocados nas pesquisas eleitorais. Filho do apresentador de televisão Carlos Roberto Massa, o Ratinho, o candidato, de 37 anos, é empresário e já foi deputado federal, estadual e secretário de Desenvolvimento Urbano no governo Beto Richa (PSDB).
Sendo eleito, Ratinho Júnior promete reduzir o tamanho do Estado eliminando secretarias, acabando com as regalias, priorizando gastos e promover a desburocratização da estrutura.

Imagem ilustrativa da imagem Ratinho Júnior promete reduzir secretarias e acabar com regalias

TRIBUNA DO NORTE - O sr. já foi deputado estadual, federal e secretário no governo de Beto Richa. Agora como candidato a governador se apresenta como a mudança. Como assim?

RATINHO JR. - Eu me preparei para ser o governador do Paraná. Desde a minha primeira entrevista, em 2002, quando fui eleito deputado estadual aos 21 anos, eu disse que estava começando o projeto para ser governador. Busquei conhecimento, me especializei dentro e fora do Brasil. Fui atrás de referências de boas experiências na gestão pública em todo o mundo.  Desenvolvi minha capacidade de gestão na iniciativa privada e também no governo. Tive a honra de ser o secretário de Estado de uma das pastas mais importantes, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano(Sedu), onde pude conhecer e atender as demandas dos 399 municípios do Paraná. Fiz parte do governo, mas sempre agi com independência. Fui candidato a prefeito de Curitiba contra o Beto Richa. Em outras cidades, o meu grupo político apoiou e elegeu prefeitos contrários ao governador. Nunca escondi isso. Tenho orgulho do trabalho que desenvolvi na Sedu, com a entrega do maior acervo de obras da história da secretaria, com 3,2 mil projetos e R$2,3 bilhões repassados aos municípios.
A mudança que estou propondo é na forma de agir. Na inovação. Em um novo modelo de gestão pública que busca a eficiência e trata com respeito o dinheiro público. 

TN - Por que o sr. pretende ser governador do Paraná?
 RATINHO JR. - Faço política por gratidão e por acreditar que ela pode ser instrumento de transformação que ajuda a melhorar a vida das pessoas. Os políticos tradicionais, que estão no poder há 30, 40 anos, não entregaram o País que prometeram. A minha geração tem obrigação de fazer esse resgate. 
Quero ser o governador de todos os paranaenses. Quero ajudar a melhorar a condição de vida de todos, trazer mais segurança, melhorar a educação, qualificar a saúde, criar condições para quem quer investir e gerar mais emprego e renda. 
Não sou filho da política, sou filho do trabalho. Tudo o que a minha família conquistou foi graças ao trabalho e ao Paraná. Foi aqui que nós fizemos a nossa história. O Paraná foi uma terra de oportunidades para nós e sinto que tenho uma missão que é retribuir e trabalhar para fazer do nosso Estado uma terra de oportunidade e trabalho para todos.
TN - Que modelo de governo pretende implantar no Paraná? 
RATINHO JR. O modelo da inovação. Da eficiência. Quero acabar com os excessos, com as regalias monárquicas e com o atraso. O Estado não pode atrapalhar a vida do cidadão e de quem quer investir. Vamos desburocratizar a estrutura. Eliminar os gastos desnecessários, rever o modelo de gestão pública, reduzindo as secretarias de Estado e priorizando os gastos onde a população mais precisa, como saúde, educação, segurança e infraestrutura. Quero fazer do Paraná o melhor Estado do Brasil. 

TN - Como o sr. avalia a situação do Paraná hoje em termos de desenvolvimento econômico e social?
RATINHO JR. - Temos que avançar. O Paraná não pode se contentar em ser o terceiro melhor Estado no ranking da eficiência. Ainda que alguns comemorem, eu não posso ficar satisfeito. Nenhum cidadão pode ficar satisfeito. Temos que ser o melhor. Temos que ser o primeiro. Temos que devolver com eficiência o dinheiro que o cidadão, o empresário, recolhe como imposto. O Paraná não atingiu a meta estipulada pelo governo federal para o ensino médio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb. Não podemos aceitar isso. O Paraná tem a obrigação de entregar a melhor educação pública, a melhor e mais eficiente segurança, a melhor saúde. A melhor infraestrutura. 

TN - Como avalia as recentes prisões do ex-governador Beto Richa, de Fernanda Richa e Pepe Richa, entre outros?
RATINHO JR. - Todo ocupante de cargo público tem que responder por seus atos. Não sou juiz, mas penso que se alguém cometeu um erro tem que pagar dentro do que prevê a lei. Também dentro da lei, tem que ter o direito à ampla defesa. 
 TN -  Quais são as suas principais propostas de governo?
RATINHO JR. - Nosso plano foi pensado para atender e desenvolver todas as áreas. Da saúde à educação. Do esporte à cultura. Da segurança à infraestrutura. Mas precisaremos de recursos e vamos conseguir cortando o que não é essencial. Vamos reduzir o número de secretarias em 50%, diminuir a frota de carros oficiais e acabar com as mordomias. Também queremos fazer parcerias com a iniciativa privada. Nossa prioridade é colocar em prática os projetos que estamos propondo e vamos lutar para torná-los viáveis.
Vamos criar um Plano Diretor de Infraestrutura, com o intuito de planejar o Estado para os próximos 10 anos. Vamos investir nas rodovias e ferrovias do Estado, começando com a conservação das estradas da zona rural. Temos que implantar um programa estadual de apoio aos municípios para manutenção destas vias, auxiliando no escoamento da produção rural.
Vamos combater a corrupção com a implantação de um programa de controle, o “compliance”, em todas as áreas, em todas as secretarias. Eu pude implantar o compliance na secretaria que era de minha responsabilidade, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano, com excelente resultado. Entregamos 3.200 obras e maquinários e nenhuma foi investigada.
Vamos reforçar a segurança em todos os municípios. Vamos criar a Cidade da Polícia, que estará localizada em Curitiba e vai reunir de forma estratégica, compartilhando expertise, inteligência e conhecimento entre as estruturas de Guarda Municipal, Bombeiros, Polícias Militar, Civil e Federal, junto com o Exército e outras forças de segurança. 
Vamos implementar o Projeto Muralha nos municípios que estão na divisa com outros países, evitando a entrada de armas, drogas e contrabando no Brasil e também o roubo de cargas.
Vamos priorizar a educação e a saúde. Vamos respeitar o professor e dar condições de trabalho nas escolas. Vamos cuidar dos nossos alunos, criar um programa com três refeições diárias.
Na área da saúde vamos descentralizar o atendimento. É desumano um paciente do interior ter que se deslocar por seis, oito horas para fazer tratamento médico nos grandes centros. Precisamos criar centros de especialidades regionais e apoiar entidades filantrópicas que investem em unidades de alta complexidade em cidades menores.
TN - Que proposta tem para geração de emprego e renda no Estado?
RATINHO JR. - O melhor calçado que uma pessoa pode vestir é o de emprego, porque traz junto a dignidade. A minha história e da minha família se confunde com a de muitos paranaenses e, com certeza, com muitos de vocês. Meu pai, desempregado, saiu de Jandaia do Sul e veio para Curitiba em busca de emprego, de uma nova oportunidade para ele e para minha mãe, eu e meus irmãos. Mas é uma história que não precisa continuar se repetindo. O nosso Estado tem que ser a terra das oportunidades para todos. O meu governo vai ser o governo da geração de emprego e renda. Vamos criar condições para que todas as regiões se desenvolvam, promovam suas vocações econômicas locais e ampliem os investimentos. Vamos apoiar o empreendedorismo, criar ambiente propício ao desenvolvimento profissional e comercial, de acordo com as potencialidades e os perfis de cada região.  Vamos agregar valor ao nosso agronegócio. Estimular os arranjos produtivos locais e incentivar vocações regionais. 

TN -  A questão salarial tem gerado muita polêmica no atual governo. Qual a sua proposta para os servidores públicos?
RATINHO JR. - Eu quero fazer uma política de construção de diálogo junto com os servidores. Inclusive eu tive oportunidade de falar com o presidente da APP, o Hermes Leão, de uma forma informal esses dias, encontrei ele e falei: Hermes, quero conversar com vocês e a gente vai construir um projeto não só para os professores, mas também para todos os servidores. Quero fazer um projeto de quatro anos. Não quero parar a cada ano e retomar as discussões, mas sim fazer um projeto para o mandato. A gente senta logo no início do governo e faz um planejamento.

TN -  Como pretende encaminhar o processo de licitação do pedágio?
RATINHO JR. De novo estão usando a questão do pedágio de forma eleitoreira. Já tivemos o “baixa ou acaba” e agora tem candidato falando que cancelou o pedágio. Isso não é verdade. Já existe uma lei, a Lei Federal 13.448/2017, que impede a renovação de concessão das estradas sem que esteja previsto no contrato original. No Paraná, todas as seis concessionárias serão afetadas pela nova legislação. Então ninguém cancelou o pedágio. Ele não será renovado. É lei federal. 
Nós vamos trabalhar essa questão de forma técnica. Primeiro existe um contrato que vai até até 2021, onde está estipulado que as empresas têm que fazer as obras, reformas e manutenções necessárias. Nós temos que obrigar as empresas concessionárias a cumprir esse contrato. Não podemos admitir as empresas não cumprirem o contrato que elas mesmas assinaram junto com o Governo do Estado. Vamos fazer uma licitação internacional, para acabar com as amarras regionais. Também acho que é possível reduzir o valor. Segundo um estudo do Tribunal de Contas da União, é possível reduzir na faixa de 50% o valor da tarifa do pedágio.