Com a reforma política estabelecida pelas alterações da Lei das Eleições (Lei 9.504/97), na Lei dos Partidos Políticos (lei 9.096/95) e no Código Eleitoral, os candidatos a prefeito e a vereador terão que mudar o jeito de fazer campanha nas eleições deste ano. Isto em função de que o tempo de campanha é muito curto (45 dias) e a propaganda eleitoral sofreu uma série de restrições e vedações.
Além da distribuição dos tradicionais “santinhos” e pedido de votos no corpo a corpo, os candidatos poderão contar neste pleito com uma poderosa ferramenta de campanha, que são as redes sociais, já autorizada pela Justiça Eleitoral. Mensagens aos eleitores se apresentando como candidatos, mostrando propostas de trabalho e tentando seu convencimento podem ser enviadas através de diferentes formas por essa moderna tecnologia que hoje faz parte da rotina da maioria das pessoas.
Neste contexto entram instrumentos como Facebook, Instagram, WhasApp, Twiter, Snapchat, YouTube e também através de sites exclusivos de campanha eleitoral do candidato. E pelo jeito este tipo de campanha eleitoral será usado muito por parte dos concorrentes a prefeito e a vereador.
O prefeito de Apucarana, Beto Preto (PSD), que concorre à reeleição, diz que já tem se utilizado das redes sociais, como prefeito, para divulgar as ações da administração municipal. “Antes era no campo administrativo, agora será no campo político”, informa Beto Preto, que considera as redes sociais um importante instrumento de comunicação com os eleitores. “Cada dia mais nós fazemos parte deste processo tecnológico”, comenta Beto Preto, salientando que sua equipe de campanha já está montando todos os instrumentos possíveis de comunicação com o eleitor. Ontem, por exemplo, ele já lançou oficialmente seu site de campanha.
O candidato a prefeito Sérgio do Cristma (PSDB) também considera as redes sociais como importante canal de contato com os eleitores e diz que vai se utilizar de todas ferramentas possíveis. “As redes sociais vão ter um papel importante neste curto tempo de campanha”, diz o candidato tucano.
Ele observa que o município de Apucarana é muito grande e populoso e não é possível fazer um contato corpo a corpo com todos os eleitores. Assim, o jeito será se comunicar bastante pelo Facebook, Instagram e outras ferramentas. Ele espera contar também com a colaboração dos muitos amigos na divulgação de sua candidatura através das redes sociais.
O candidato a prefeito pelo PSOL, Alex Júlio Barbosa, informa que até já gravou um vídeo para colocar nas redes sociais. Além disso, ele tem sua própria fan page que permite contato direto com o eleitor. “Nossa campanha será conduzida basicamente pelas redes sociais, embora através disso não seja possível divulgar integralmente nosso plano de governo”, afirma.
Virtual vai prevalecer em Arapongas
A exemplo de Apucarana, em Arapongas os candidatos a prefeito também pretendem se utilizar das redes sociais para fazer campanha eleitoral. Estão na disputa o atual prefeito padre Antônio José Beffa (PHS), que concorre à reeleição, Sérgio Onofre da Silva (PSC) e José Bisca (PSDB).
Segundo Alcides Livrari Júnior, um dos coordenadores da campanha do candidato Padre Beffa, as redes sociais serão usadas de todas as formas para atingir os eleitores até o limite possível. “Hoje o número de pessoas conectadas é muito grande e acreditamos que é possível obter bons resultados com este tipo de instrumento de comunicação”, avalia Alcides. Ele assinala que Padre Beffa também terá sua fan page para manter contato direto com o eleitor na divulgação de sua mensagem.
“Nesta semana ainda não foi possível montar todo o esquema de trabalho, mas com certeza vamos utilizar sim as redes sociais para fazer contato com os eleitores”, afirma o também candidato a prefeito Sérgio Onofre da Silva. Segundo ele, a partir do início desta semana todo o esquema já estará montado, seja pelas redes sociais, seja para manter o contato corpo a corpo com os eleitores.
O candidato José Bisca lembra que a campanha deste ano, além de ser curta, terá que ser conduzida com muita economia. “Assim, teremos que usar bastante as redes sociais para levar nossa mensagem aos eleitores”, declara Bisca, acrescentando que também é preciso sair às ruas para buscar os votos. (EC)
Ferramenta pode ajudar ou prejudicar
De acordo com Elve Miguel Cenci, professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o uso das redes sociais tem crescido ao longo das últimas eleições. É uma ferramenta importante para se fazer conhecer, divulgar propostas e chegar até o eleitor.
Ele adverte, no entanto, que junto com o crescimento da política na rede também veio a “guerra suja”. “As campanhas, hoje, possuem setores especializados em monitoramento e contra-ataque ao que é divulgado pelos adversários. Portanto, a importância das redes sociais tende a aumentar ainda mais”, diz.
Outro fator a ser considerado, conforme assinala, é o poder das novas mídias. “Uma notícia negativa que “viralize” na internet pode alavancar ou destruir uma campanha. Ou seja, estamos diante de um novo poder de construção ou destruição de candidaturas”, observa.
“Não podemos esquecer também que a rede mundial de computadores extinguiu o direito ao esquecimento”, lembra professor Cenci. Segundo ele, todo o passado, isto é, alianças, discursos, imagens, acordos etc, pode ser resgatado e divulgado. O que cada político fez nos verões do passado pode ser ressuscitado no presente. “Considerando que cada internauta é um produtor de conteúdo, editor e dono do seu próprio canal de divulgação, o único controle possível é judicial e somente “a posteriori”. Até uma decisão judicial o estrago já estará feito”, conclui. (E.C)