POLÍTICA

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Relator da Lava Jato, Teori Zavascki morre aos 68 anos

Da Redação

| Edição de 19 de janeiro de 2017 | Atualizado em 20 de janeiro de 2017

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, morreu ontem, aos 68 anos, em um acidente aéreo. Ele já era viúvo e deixa três filhos. Membro do STF desde 2012, Teori era o ministro responsável pelas investigações da Operação Lava Jato na Corte, tratando dos processos dos investigados com foro privilegiado. A morte de Teori gerou forte repercussão entre a classe política e também no Judiciário. 

O avião saiu de São Paulo (SP) e caiu a 2 quilômetros de distância da cabeceira da pista em Paraty no início da tarde. De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), cinco pessoas estavam a bordo. Todas morreram. 

Teori foi nomeado para o Supremo pela então presidente Dilma Rousseff (PT) para ocupar a vaga de Cezar Peluso, que se aposentou após atingir a idade limite para o cargo, de 70 anos. Ontem, ele tinha interrompido o recesso para determinar as primeiras diligências nas petições que tratam da homologação dos acordos de delação de executivos da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato.

Imagem ilustrativa da imagem Relator da Lava Jato, Teori Zavascki morre aos 68 anos
Morte de Teori torna incertos os rumos da Lava Jato (Folhapress) 
Teori Zavascki nasceu em 1948 na cidade de Faxinal dos Guedes (SC), e é descendente de poloneses e italianos. Respeitado nas áreas administrativa e tributária, Zavascki também era considerado minucioso em questões processuais. O ministro declarou em diversas ocasiões ser favorável ao ativismo do Judiciário quando o Legislativo deixa lacunas. 

O presidente Michel Temer (PMDB) decretou ontem à noite luto oficial de três dias em decorrência da morte de Teori. Em pronunciamento no Palácio do Planalto, Temer disse que o magistrado era um “homem de bem” e um “orgulho para todos os brasileiros”.

“O ministro Teori era um homem de bem e era orgulho para todos os brasileiros”, afirmou Temer. “Neste momento de luto, manifesto, eu e minha equipe, aos familiares do ministro e dos demais integrantes do voo, meus sentimentos de pesar e associo-me a todos os brasileiros ao lamentar a perda de um homem público cuja trajetória impecável a favor do direito e da justiça sempre o distinguiram”, completou Temer.

A ex-presidente Dilma Rousseff divulgou nota na qual afirma que foi um “privilégio” tê-lo nomeado. “É com imenso pesar que recebo a notícia da trágica morte do ministro Teori Zavascki. Hoje perdemos um grande brasileiro. Como juiz e cidadão, Teori se consagrou como um intelectual do Direito, zeloso das leis e da Justiça”, escreveu a petista.

Em nota, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse estar “profundamente impactado com a tragédia que envolveu” o magistrado e outros passageiros do mesmo voo. “O Brasil tem uma grande dívida de reconhecimento e gratidão com o ministro pela forma equilibrada e responsável com que ele conduziu um dos momentos mais difíceis da história do país”, escreveu Aécio. “Ele honrou a cadeira que ocupou na nossa mais alta Corte. Meus profundos sentimentos às famílias e às vítimas”.

Substituição já gera polêmica
Indicado pelo presidente Michel Temer, o ministro que substituirá Teori Zavascki, 68, no STF (Supremo Tribunal Federal) poderá assumir a relatoria da Operação Lava Jato. Segundo artigo 38 do regimento interno do Supremo, o relator de determinado processo é substituído “em caso de aposentadoria, renúncia ou morte” pelo ministro nomeado para a sua vaga.
De acordo com juristas, porém, o artigo 68 do regimento interno da corte prevê que, em casos excepcionais, o presidente do tribunal redistribua os processos se a indicação do novo ministro não for feita pelo presidente da República em até 30 dias.
O ministro Marco Aurélio Mello defende que os processos da Operação Lava Jato sejam redistribuídos imediatamente. Ele disse que o Supremo não pode aguardar a nomeação de um novo ministro. “A regra revela que os processos aguardam a indicação do sucessor. Mas há precedentes que exigem a redistribuição imediata da relatoria de inquéritos e ações penais”, disse.

“Sem ele não haveria a Lava Jato”, afirma o Juiz Sérgio Moro 
Responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Justiça Federal, o juiz Sérgio Moro divulgou nota na qual afirma que o ministro Teori Zavascki foi “um herói para o povo brasileiro” e um “exemplo para todos os juízes, promotores e advogados deste País”.
No texto, Moro se diz “perplexo” com a notícia da morte do ministro, que faleceu em um acidente de avião nesta quinta-feira. “Sem ele”, diz Moro, “não teria havido a Lava Jato”.
“Espero que seu legado de serenidade, seriedade e firmeza na aplicação da lei, independente dos interesses envolvidos, ainda que poderosos, não seja esquecido”.
Ao longo da operação, o ministro Teori Zavascki referendou a maioria das decisões de Moro, mas também foi o responsável por impor uma das principais derrotas do juiz no processo: a anulação das escutas feitas no telefone do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que flagraram conversas com a ex-presidente Dilma e outras autoridades do governo petista.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, divulgou nota no início da noite de ontem em que lamenta a morte do ministro Teori Zavascki. Para Janot, Teori “honrou o papel de magistrado, ao atuar de forma ética, isenta, discreta e extremamente técnica durante toda sua carreira”. Segundo Janot, como relator da Lava Jato, o ministro não hesitou em adotar medidas inéditas para a Suprema Corte, a pedido do Ministério Público Federal. “É inegável e inquestionável a grande contribuição que o ministro Teori Zavascki deu ao Estado Democrático de Direito Brasileiro a partir de sua atuação como magistrado”, afirmou.

Delegado federal defende investigação profunda do acidente
Um dos principais investigadores da Operação Lava Jato, o delegado federal Marcio Adriano Anselmo pediu a investigação “a fundo” da morte do ministro Teori Zavascki, “na véspera da homologação da colaboração premiada da Odebrecht”.
“Esse ‘acidente’ deve ser investigado a fundo”, escreveu em sua página no Facebook, destacando a palavra “acidente” entre aspas.
Anselmo afirmou que a morte de Teori é “o prenúncio do fim de uma era” e disse que ele “lavou a alma do STF à frente da Lava Jato”.  “Surpreendeu a todos pelo extremo zelo com que suportou todo esse período conturbado”, afirmou.
A morte do ministro num acidente de avião em Paraty (RJ) movimentou as redes sociais com teorias da conspiração. A linha de pensamento que prepondera: Zavascki é relator da Lava Jato, operação que transferiu dos círculos do poder para a cadeia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a Marcelo Odebrecht. Seria, portanto, natural que quisessem tirá-lo do caminho. Como sintetiza o músico Lobão no Twitter: “APAGARAM O TEORI!”.
As causas que levaram à queda do monomotor ainda não foram apuradas. Personalidades de todos os espectros políticos, contudo, sugerem que pode haver algo de criminoso por trás do acidente.