POLÍTICA

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Relator nega incluir delação de Machado na defesa de Dilma

Folhapress

| Edição de 03 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O relator do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), rejeitou ontem o pedido da defesa da petista para incluir dentre os documentos de produção de provas a delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e gravações de suas conversas com lideranças do PMDB.

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“Os fatos indicados são totalmente estranhos ao objeto deste processo, além do mais, essa matéria se encontra devidamente esclarecida”, destaca Anastasia na manifestação que apresentou na comissão ontem.

Para o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, responsável pela defesa de Dilma no processo, a decisão do tucano impede o direito de defesa da presidente afastada. Ele argumenta que os áudios envolvendo o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente José Sarney provam que o impeachment foi deflagrado para barrar a operação Lava Jato.

“Vossa Excelência indeferiu provas que são o elemento central da defesa, a tese central é o desvio de poder. Querem cercear o direito da presidente de provar a sua inocência. Indeferir o conjunto probatório central é matar de morte a possibilidade de construir a nossa defesa”, argumentou.

Anastasia também rejeitou o pedido de oitiva de especialistas e a realização de uma perícia e auditoria econômico-financeira e contábil feita por uma consultoria internacional nos decretos de crédito suplementar e nas pedaladas fiscais.

“Oportuno lembrar que esta comissão poderá indeferir as provas consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias, assim como desistir da inquirição de qualquer testemunha arrolada. É o plenário deste colegiado que decide sobre o melhor andamento da instrução”, afirma Anastasia em sua manifestação, dizendo ainda que algumas diligências requeridas “se mostram irrelevantes e impertinentes em face dos fatos que devem ser apurados”.

Em sua manifestação, o tucano indicou à oitiva de 21 pessoas, dentre elas a presidente afastada Dilma Rousseff, que deve ser ouvida em 20 de junho. No rol de testemunhas estão o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o procurador do Ministério Público junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira, além de técnicos do Tesouro Nacional, Tribunal de Contas da União, Ministério da Agricultura e do Planejamento, Banco do Brasil, entre outros. A comissão ainda precisa votar sobre a manifestação de Anastasia. A sessão do colegiado foi suspensa por duas horas na tarde de ontem para que o relator pudesse analisar cerca de 13 requerimentos que ainda precisam de seu aval.

Mais cedo, a comissão reduziu em 20 dias o prazo para a tramitação do processo contra Dilma Rousseff no colegiado do Senado. Dessa forma, a votação final do caso pode acontecer ainda em julho.