POLÍTICA

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Sete cidades do Vale tem número de eleitores quase igual ao de habitantes

Edison Costa

| Edição de 17 de julho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que em pelo menos sete municípios da região de Apucarana o número de eleitores quase empata com o número de habitantes, ou seja, acima de 90% do total de moradores. Há situação em que há mais eleitores do que habitantes. É o caso de Ariranha do Ivaí, que tem hoje 2.267 eleitores e 3.426 habitantes, um percentual que chega a 103,5%.

Na faixa de 80% de eleitores ou mais em relação ao número de habitantes estão nove municípios. Alguns deles também chegam próximo dos 90%.

Os municípios com número de eleitores quase que igual ao número de habitantes são Lidianópolis, com 97,4%; Rosário do Ivaí, com 96,1%; Cruzmaltina, com 95,9%; Arapuã, com 95,3%; Rio Bom, com 93,2%; Godoy Moreira, com 90,9%; e Borrazópolis, com 90,8%.

Na faixa de 80% e abaixo de 90% estão Novo Itacolomi, com 88,1%; Sabáudia, com 87,9%; Kaloré, com 86,3%; Grandes Rios, com 86,1%; Lunardelli, com 85%; São João do Ivaí, com 84,8%; Califórnia, com 82,5%; e Marumbi, com 80,5%.

O chefe do escritório regional em Apucarana do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Berenildo Fernandes Chagas, acredita que a proximidade de números de eleitores e de habitantes em determinados municípios está relacionada a dois fatores. Um deles é que muitos moradores mudam de cidade, porém não transferem o título. Outro é que o número de habitantes possa estar defasado.

Imagem ilustrativa da imagem Sete cidades do Vale tem número de eleitores quase igual ao de habitantes

Berenildo observa que o último Censo Demográfico foi feito em 2010. E é em cima deste Censo que o IBGE fez a estimativa populacional dos municípios para 2015. “Se em 2010 um município registrou taxa negativa de crescimento, a estimativa para 2015 seguiu esta taxa, com redução de habitantes”, explica. Segundo ele, pode ser que esteja aí a questão.

Além disso, conforme assinala, pequenos municípios localizados mais no interior do Estado, afastados de rodovias federais ou estaduais, onde as perspectivas de trabalho são menores, tendem a ter menos habitantes por causa da migração de pessoas para outros centros.

AFINIDADE

O secretário municipal de Administração de Rio Bom, Vergílio Primon, 67 anos, acredita que um dos principais motivos para o número de eleitores ser quase igual ao de habitantes é porque muita gente do município migra para outra cidade, porém não transfere o título de eleitor. Além disso, segundo ele, há pessoas que são proprietárias de casas, sítios e fazend as no município e foram morar em outros centros como em Apucarana, Arapongas e Londrina.

“Tem pessoas que preferem manter o título eleitoral na cidade onde sempre viveram e tem laços familiares”, comenta. “Talvez seja isso que faz com município pequeno tenha tantos eleitores quanto de habitantes”, analisa Primon, que mora em Rio Bom desde 1951.

Colégio eleitoral de Ariranha do Ivaí supera população

Na região, uma constatação é que Ariranha do Ivaí tem mais eleitores do que habitantes, respectivamente 2.442 contra 2.359 (103,5%). De acordo com o chefe da 152ª Zona Eleitoral da Comarca de Ivaiporã, Eduardo Serra Gonçalves, a distorção geralmente é provocada por eleitores que se mudam de cidade e não transferem o título de eleitor. “Na verdade, o domicílio eleitoral não se confunde com o domicilio civil. Eu, por exemplo, sou de Maringá, tenho casa em Pitanga, moro e trabalho aqui. Tecnicamente tenho três domicílios e posso optar por qualquer um deles. No caso de Ariranha do Ivaí, sabemos que tem muita gente que mantém o título na cidade mesmo morando e trabalhando em Curitiba, Santa Catarina ou cidades maiores”.
Ainda segundo Gonçalves, o que ocorria antigamente é que no final do prazo de regularização eleitoral algumas pessoas de outros municípios transferiam o título para votar em determinada pessoa e obter alguma vantagem. “Às vezes não havia muito controle sobre isso. Atualmente o cartório eleitoral é bem rígido no controle de domicilio e isso não ocorre mais. A pessoa tem que provar com 180 dias de antecedência o domicílio no próprio nome, ou no nome do pai, da mãe”, relata.
Gonçalves acredita que, com o cadastramento biométrico que está para acontecer na Comarca de Ivaiporã em 2017, o número de eleitores cadastrados deve cair e ficar mais perto da realidade. “Todos os eleitores terão que comparecer ao cartório para fazer o título de novo. Talvez muitas dessas pessoas que estão lá em Santa Catarina ou outros lugares distantes não venham. E não vindo esses títulos serão todos cancelados”, destaca. (IVAN MALDONADO)

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