POLÍTICA

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Temer busca aliados para se "salvar" de denúncia na Câmara

Agências

| Edição de 02 de agosto de 2017 | Atualizado em 01 de agosto de 2017

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Na véspera da análise de denúncia contra ele por corrupção passiva pela Câmara dos Deputados, o presidente Michel Temer (PMDB) intensificou ontem o corpo a corpo para tentar virar votos e conseguir quórum para a sessão parlamentar desta quarta-feira, marcada para ter início às 9 horas.
Em uma agenda cheia, o peemedebista marcou audiências com 11 deputados governistas, dos quais oito estão indecisos ou não manifestaram posicionamento.

Imagem ilustrativa da imagem Temer busca aliados para se "salvar" de denúncia na Câmara


Na ofensiva, há inclusive o parlamentar Jaime Martins (PSD-MG), que já se manifestou à Folha de S.Paulo a favor do prosseguimento da denúncia por corrupção passiva.
A intenção do presidente é colocar entre 290 e 300 deputados no plenário e constranger a oposição a também marcar presença, chegando ao número mínimo para que a denúncia seja votada. 
Para isso, a tropa de choque passou o dia ao telefone ligando para cem deputados indecisos ou declaradamente contrários ao presidente.
O Palácio do Planalto também está preparando um material para ser distribuído para a base aliada sobre a linha principal da defesa.
Caso não haja quórum nesta quarta-feira, o presidente tem articulado a convocação de nova sessão parlamentar no dia 8 ou 9 de agosto. Para isso, a Casa Civil pediu aos ministros que permaneçam em Brasília até o dia 10 de agosto.
Apesar de todos os procedimentos adotados para tentar derrubar a denúncia na Câmara, Temer quis passar para a reportagem a impressão de estar tranquilo. Ele preferiu transferir para a oposição a responsabilidade de conseguir colocar em plenário o mínimo de 342 deputados para o início da votação.
Após evento no Palácio do Planalto, Temer disse que quem precisa dar quórum é “quem quer destruir o que a CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) decidiu”. Questionado pela reportagem sobre estar confiante para a votação, o presidente desconversou: “A Câmara decide. Eu aqui só espero a decisão da Câmara”, completou.
Ontem à tarde, a segunda-secretária da Câmara dos Deputados, Mariana Carvalho (PSDB-RO), leu em plenário o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que recomenda a rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer. A leitura do relatório elaborado pelo deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) durou 28 minutos.
O procedimento é uma das etapas exigidas para que o relatório seja incluído na pauta de votações da Casa. Caberá ao plenário da Câmara, em sessão marcada para hoje, dar a palavra final sobre autorizar ou não o Supremo Tribunal Federal (STF) a analisar a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente pelo crime de corrupção passiva.

Ministros reassumem mandatos para votação
O ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, disse ontem que os ministros que têm mandato de deputado serão exonerados temporariamente do cargo para retornar à Câmara e participar, hoje, da votação em plenário sobre a admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer pelo suposto crime de corrupção passiva.
Segundo Padilha, as exonerações devem sair na edição desta quarta-feira do Diário Oficial da União.
“Todos votam, exceto o Jungmann (Raul Jungmann, ministro da Defesa), que está no Rio de Janeiro. Amanhã (hoje) o Diário Oficial libera os ministros que querem exercer o direito a voto. O simbolismo da votação se reveste também da participação dos ministros no plenário fazendo as conversas que normalmente se faz e também exercendo o direito ao voto”, disse Padilha, ao deixar almoço da Frente Parlamentar da Agricultura.
Esta não será a primeira vez que ministros retornam ao Congresso para votar em matéria de interesse do governo. Em outubro do ano passado, Temer exonerou dois ministros para que votassem a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê um teto para os gastos públicos. Em abril deste ano, o presidente usou o mesmo recurso ao exonerar os ministros para reassumir o mandato de deputado federal e votar no projeto da reforma trabalhista, que foi aprovada.
Também em abril, Temer havia decidido que ministros retornariam mais uma vez à Câmara para participar da votação em plenário da PEC da Reforma da Previdência. Prevista inicialmente para ser colocada em pauta em maio, a PEC ainda não foi levada ao plenário.

Obstrução 
Oposição não chega a consenso sobre marcar presença na sessão 
A reunião dos seis partidos de oposição ao governo Michel Temer (PMDB), ontem, terminou sem que eles chegassem a um consenso sobre marcar ou não presença na sessão desta quarta-feira para garantir o início da votação da denúncia contra o presidente.
Após quase três horas, PT, PC do B, PSOL, Rede, PDT e PSB apenas distribuíram tarefas e decidiram que, se forem dar quórum, isso não acontecerá pela manhã ou pela tarde.
“Eles querem encerrar quando o povo não está vendo telejornal”, disse Glauber Braga (RJ), líder do PSOL.
Na tentativa de retardar o início da sessão, a oposição vai questionar o rito estabelecido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Assim como o governo, um grupo de deputados da oposição também iria telefonar para colegas indecisos para tentar conquistar seus votos.
Por enquanto, cada partido defende uma maneira de agir em relação a dar ou não quórum.
Deputados oposicionistas reclamam especialmente do comportamento do PT, que gostaria de derrubar Temer, mas também tenta prolongar o processo para aumentar o desgaste do presidente até as eleições de 2018.
O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), nega que haja movimento do partido para deixar o governo “sangrar”, mas também não garante que a sigla contribuirá para o quórum da sessão. “Vai se entender daqui a pouco”, respondeu o líder da minoria, José Guimarães (PT-CE), quando questionado se o PT já havia chegando a uma decisão. A bancada do partido se reuniria até início da noite. (FOLHAPRESS)