Citado nas delações premiadas de executivos da Odebrecht, o presidente da República Michel Temer (PMDB) chamou ontem de “ilegítima” a divulgação por meio de vazamento de investigações criminais e disse que a lentidão em procedimentos investigatórios perturba áreas de interesse do governo federal.
Temer é um dos políticos citados pelo ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho no acordo de delação premiada. Filho declarou que o presidente, em 2014, pediu R$ 10 milhões ao empreiteiro Marcelo Odebrecht para campanhas eleitorais do PMDB, durante encontro no Palácio do Jaburu.
Em requerimento enviado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o peemedebista também pede a celeridade na conclusão de investigações em curso e solicita que as delações premiadas sejam “o quanto antes finalizadas” e divulgadas “por completo”.
“Com isso, a eventual responsabilidade criminal dos investigados será logo aferida”, conclui.
“A condução dessas e de outras políticas públicas a cargo da União vem sofrendo interferência pela ilegítima divulgação de supostas colaborações premiadas em investigações criminais conduzidas pelo Ministério Público Federal quando ainda não completado e homologado o procedimento de delação”, escreveu.
O presidente lembra ainda no documento que o procurador-geral, “em situação análoga” ao caso da delação dos executivos das empreiteira, suspendeu tratativas de colaboração premiada “em prol da higidez do procedimento legal”.
“O fracionado ou porventura lento desenrolar de referidos procedimentos pré-processuais, a supostamente envolver múltiplos agentes políticos, funciona como elemento perturbador de uma série de áreas de interesse da União”, escreveu.
No final do texto, ao pedir rapidez na conclusão das investigações e na homologação das delações premiadas, o presidente afirma que a celeridade é indispensável para a superação da “situação fática vivenciada pelo país” e que tem trazido prejuízos ao governo federal e à população brasileira.