POLÍTICA

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Temer diz que nunca autorizou Rocha Loures receber dinheiro

Agências

| Edição de 18 de janeiro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A defesa do presidente Michel Temer enviou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) as respostas por escrito às perguntas feitas pela Polícia Federal (PF) no inquérito aberto pela Corte para investigar o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do chamado Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017). O interrogatório foi solicitado pelos delegados responsáveis pelo caso e autorizado pelo ministro Luis Roberto Barroso, relator da investigação.
Além de Temer, são investigados no mesmo inquérito o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures e os empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Mesquita, donos da Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos.
No documento, Temer respondeu as 50 perguntas relacionadas ao inquérito. Sobre o ex-deputado Rocha Loures, um dos investigados no inquérito, Temer declarou que nunca o autorizou a fazer tratativas e receber recursos em seu nome e ainda reclamou do que considera “agressividade das perguntas” feitas a ele. "Peço vênia para realçar a impertinência de tal questão, por colocar em dúvida a minha honorabilidade e dignidade pessoal", escreveu.
Temer também afirmou à PF que nunca recebeu doações da Rodrimar, empresa do setor de portos que teria sido beneficiada com o decreto, para campanhas eleitorais ou dinheiro não contabilizado (o chamado caixa 2) e nunca fez uso de caixa 2 nas campanhas que disputou.
Questionado sobre se conhecia os executivos da Rodrimar, Temer disse que não conhece Ricardo Conrado Mesquita e que esteve "rapidamente, em duas ou três oportunidades" com Antônio Celso Grecco. Temer destacou que "jamais" tratou de concessões no setor portuário com Grecco.
O presidente afirmou nas respostas que o decreto 9.048/2017, que ampliou a duração de contratos de concessão no setor portuário, não beneficiou a Rodrimar.
A PF indagou o presidente se ele recebeu oferta de dinheiro, em forma de doação eleitoral ou caixa 2, para incluir no decreto dos portos dispositivos "mais benéficos" para as concessionárias do setor. Temer declarou não ter recebido oferta e enfatizou que, em tal hipótese, sua " reação seria de enérgica repulsa, seguida da adoção das medidas cabíveis".
Após a abertura do inquérito, em setembro do ano passado, a Rodrimar S/A declarou que nunca recebeu qualquer privilégio do Poder Público e que o Decreto dos Portos atendeu a uma reivindicação de todo o setor de terminais portuários do País. “Ressalte-se que não foi uma reivindicação da Rodrimar, mas de todo o setor. Os pleitos, no entanto, não foram totalmente contemplados no decreto, que abriu a possibilidade de regularizar a situação de cerca de uma centena de concessões em todo o país”.
Desde a abertura do inquérito, o Palácio do Planalto afirma que o Decreto dos Portos foi assinado após “longo processo de negociação" entre o governo e o setor portuário e informou que o presidente iria prestar todos os esclarecimentos necessários.