Ao protocolar um pedido de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara ontem, o ex-governador do Ceará Cid Gomes disse que decidiu entrar com as denúncias neste momento porque a rápida tramitação do processo de Dilma Rousseff o "apavora".
"Vocês já pensaram o que vai ser o dia seguinte [ao possível impeachment de Dilma]? É isso que estou pensando. (...) Ele tramita muito rapidamente nessa comissão e isso me apavora", disse Gomes.
O ex-governador e ex-ministro da Educação de Dilma apresentou uma denúncia em que lista seis crimes de responsabilidade, mas não fala em pedaladas fiscais. "O que estou apresentando são denúncias que fazem citação diretamente ao nome do vice-presidente ou ao PMDB, que é o partido presidido por ele e que, nesta condição, tem obrigações de responder", afirmou Gomes.
Segundo ele, são "delações, depoimentos, citações recolhidas de documentos, de equipamentos celulares de diversos investigados na operação Lava Jato que fazem referência explícita" a Temer.
Gomes disse que pede na denúncia que ela seja primeiro analisada pelo vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), porque o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tem "notória vinculação" com Temer por serem do mesmo partido, e por Cunha estar em algumas das denúncias.