O presidente interino da República, Michel Temer (PMDB), foi recebido aos gritos de “golpista” por parlamentares do PT assim que chegou ao Senado ontem.
Ele se reuniu com o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), para entregar ao Congresso a nova previsão da meta fiscal com um déficit primário de R$ 170,5 bilhões.
Esperado para chegar junto com Temer, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, adentrou o gabinete de Renan minutos depois. A estratégia foi adotada para evitar que Temer aparecesse junto a Jucá nas imagens captadas por jornalistas.
A Folha de S.Paulo divulgou nesta segunda-feira gravações em que Jucá fala em pacto para deter avanço da Operação Lava Jato.
O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) chegou por último.
Os deputados Paulo Pimenta (PT-BA) e Moema Gramacho (PT-BA) conseguiram acesso à área reservada para a passagem de Temer. Com cartazes em que comparam Jucá ao ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), eles pediam que Jucá fosse submetido ao Conselho de Ética do Senado.
“Temer, Cunha e Jucá, cadeia neles já”, gritaram também.
Em tumultuada entrevista coletiva após reunião com Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que vai tratar o governo interino do correligionário da mesma forma que tratou o governo de Dilma Rousseff (PT).
Nos bastidores, Renan vinha dando suporte a Dilma nos últimos meses e não se alinhou de forma explícita à articulação de Temer para assumir o poder.
“Mais do que nunca é fundamental ajudar o Brasil. Vou tratar o governo Temer da mesma forma que eu tratei o governo Dilma, porque o que está em jogo não é o Michel, é o Brasil, é o interesse do Brasil. E esse governo precisa se esforçar para dar muito certo”, afirmou Renan. (FOLHAPRESS)