O Congresso Nacional promulgou na última quinta-feira a emenda constitucional que abre uma “janela” de 30 dias para que políticos com mandatos eletivos – deputados federais, estaduais e vereadores - mudem de partido sem o risco de perda do mandato por infidelidade partidária. Trata-se de uma das medidas mais esperadas para aqueles que encontram-se desconfortáveis em suas siglas ou procuram um espaço maior para suas pretensões políticas no futuro.
A proposta aprovada e promulgada pelo Congresso já está mobilizando os vereadores de Apucarana. Dos onze que compõem o Legislativo, hoje, pelo menos quatro já manifestaram que vão aproveitar a brecha e trocar de partido nos próximos dias.
São eles os vereadores Luiz Cordeiro Magalhães Filho (PT), Mauro Bertoli (PTB), Paulo César Farias (DEM) e Luciano Augusto Molina (PMDB). Outros ainda estão em dúvida ou preferem ficar onde estão.
Luiz Magalhães, inclusive, já tem rumo definido. Ele vai migrar para o Partido Republicano Brasileiro (PRB), sigla que ele já está trabalhando na composição da nova comissão provisória.
Magalhães justifica que um dos motivos que o levaram a trocar de partido é o desgaste que o PT tem sofrido em nível nacional. No entanto, ele assegura que sempre foi um ideal seu ter o comando de um partido, oportunidade que chegou agora. “O PRB é um partido forte, com 32 deputados federais e vamos fortalecê-lo também aqui em Apucarana”, afirma Magalhães. Ele assegura que o PRB fará parte da base de apoio ao prefeito Beto Preto (PT).
O vereador Mauro Bertoli, que perdeu espaço no PTB, partido que ele dirigiu por muitos anos em Apucarana, já avisou que está de malas prontas para ir embora. Ele já tem um partido definido, porém preferiu não revelar qual deles agora. “Na hora certa vamos informar”, disse, garantindo que trata-se de um partido que é da base aliada da atual administração.
O vereador Paulo Farias manifestou que sua tendência é trocar de partido, mas que ainda não definiu qual deles. “Já recebi convite de três partidos, mas ainda estou estudando todos eles”, informa. Ele assinala que até o dia 18 de março, prazo final para a troca partidária, já estará com sua situação definida. Farias faz parte do grupo que apoia a administração Beto Preto.
NOVO RUMO
Já vereador Luciano Molina diz que ainda não tomou uma posição definitiva sobre trocar ou não de partido, mas que a tendência é deixar o PMDB. “Ainda estou conversando com aqueles que apoiaram minha candidatura”, declara.
“Sou muito grato ao PMDB, onde fiz muitos amigos e pelo qual me elegi vereador. “Mas acho que é preciso mudar de rumo e esta é a minha tendência”, pontua.
O PMDB de Apucarana faz parte do grupo de oposição ao prefeito Beto Preto. No entanto, o vereador Molina tem votado junto com a base aliada do prefeito na Câmara de Apucarana e a tendência é a de que ele migre para um partido da base do prefeito.
O vereador licenciado Vladimir José da Silva (PDT), que hoje dirige a Autarquia de Serviços Funerários de Apucarana (Asserfa), diz que por enquanto fica no PDT.
Petista aguarda acontecimentos em Brasília
Demais vereadores como Gilberto Cordeiro de Lima (PMN), Alcides Ramos Júnior (DEM), José Eduardo Antoniassi (PSDB), Telma Reis (PMDB) e Antônio Ananias (PSDB) não devem trocar de partido.
A vereadora Aurita Bertoli (PT) diz que por enquanto fica no Partido dos Trabalhadores, mas que está analisando os acontecimentos em nível nacional. Ele salienta que, se for aprovada alguma coisa concreta contra a Dilma, poderá ficar em dúvida, embora ela acredita que as investigações não vão dar em nada. “Estão querendo cassar a Dilma sem nenhum fundamento”, analisa. “Mas não sairia do PT só por causa de corruptos que entraram no governo. Em todos os partidos existem corruptos, a gente vai mudar para qual deles?”, indaga. “É mais fácil eu não sair candidata a nada na eleição deste ano”, afirma a vereadora, que também aguarda uma posição do prefeito Beto Preto.
Para Aurita, por mais corrupto que acusem o PT, foram os governos dos presidentes Lula e Dilma que mais trabalharam pelas causas sociais do povo brasileiro, juntamente com o governo de Getúlio Vargas. (E.C.)