POLÍTICA

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Uso de “garoto-propaganda” gera polêmica na Câmara de Apucarana

Edison Costa

| Edição de 25 de outubro de 2022 | Atualizado em 25 de outubro de 2022
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Por seis votos a três, a Câmara de Apucarana rejeitou na sessão ordinária desta terça-feira a inclusão na pauta de votação de um requerimento de urgência, de autoria do vereador Moisés Tavares Domingos (Cidadania), pedindo informações ao prefeito Junior da Femac (PSD) e ao secretário municipal de Comunicação, Maurício Borges, sobre uma parceria que firmada entre a Prefeitura e o cartunista Lúcio Oliveira para adoção do personagem de quadrinhos Edibar como “garoto-propaganda” do Município. 

O pedido de informações foi feito com base em reportagem publicada por um jornal de circulação estadual no último final de semana e também em matéria da edição de ontem da Tribuna do Norte.

Além de esclarecimentos sobre a existência desta parceria, Moisés Tavares solicita no seu requerimento que sejam tomadas medidas em relação à associação da Prefeitura com o personagem, uma vez que, segundo ele, “pode passar uma imagem negativa ao município, bem como ser ofensiva às instituições de reabilitação que há anos trabalham conjuntamente com o Poder Executivo e Legislativo na recuperação de seus internos”.

Criado em 2001 pelo cartunista apucaranense Lúcio Oliveira, Edibar é um personagem famoso em tirinhas de jornais e também na internet. O problema é que o personagem tem como características pessoais o alcoolismo, o machismo e a misoginia, onde muitas vezes as mulheres são ridicularizadas, principalmente a esposa e a sogra. 

Tavares admite que é notório o sucesso do personagem Edibar e seu artista criador merece todo o reconhecimento possível ao seu trabalho e às suas conquistas. No entanto, a sua preocupação como vereador “é a associação da imagem de Apucarana com um bêbado, de forma irresponsável e, consequentemente, insensível com as pessoas que lutam contra o vício”.

O pedido de inclusão do requerimento na pauta de votação foi de iniciativa de Tavares, tendo recebido, a seu pedido, também as assinaturas dos vereadores Lucas Leugi (PP) e Marcos da Vila Reis (PSD), que faz parte da base aliada. Marcos da Vila Reis justificou que, ao saber de tal notícia de “garoto-propaganda” da Prefeitura, foi se inteirar do assunto com o prefeito e o secretário de Comunicação e ficou sabendo que o personagem Edibar não representa a administração municipal. De qualquer forma, foi a favor do requerimento para que tudo seja esclarecido.

Líder do prefeito tenta amenizar informações publicadas 

O líder do prefeito na Câmara, vereador Mauro Bertoli (União Brasil), considerou o conteúdo da notícia jornalística apenas uma conversa de bar e que a parceria da Prefeitura seria apenas com o criador do Edibar e não com o personagem. Disse também que não há nada conclusivo ainda, apenas um estudo. Mas Moisés Tavares citou detalhes do contrato firmado entre a Prefeitura e Lúcio Oliveira.

Para o vereador Luciano Molina (PL), o que se criou foi uma celeuma em torno do assunto e salientou que houve apenas uma falha na informação sobre tal “garoto-propaganda”. Segundo ele, se houve falha, tem que ser corrigida. 

“Chega de ficar abafando sei lá o que”, esbravejou Lucas Leugi, que tentou convencer os vereadores a votar o requerimento em plenário, porém não conseguiu.

Na sessão foram aprovados apenas dois projetos de lei. Um do Executivo que procede alienação de imóvel à empresa Espaço Sr. Manoel Ltda e outro de autoria dos vereadores Luciano Facchiano (PSB), Luciano Molina (PL) e Rodrigo Recife (União Brasil) que cria o Programa Rua do Lazer.