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​ Lava Jato é fundamental no combate à corrupção

Da Redação

| Edição de 08 de julho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Gera preocupação a decisão da Polícia Federal (PF) de encerrar a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba. A decisão, sem dúvida, vai prejudicar o trabalho de investigação, uma vez que os delegados e agentes da PF não vão mais atuar exclusivamente na investigação no âmbito da Lava Jato. 

Os policiais passarão a integrar a Delecor (Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas), dentro da própria superintendência da PF na capital paranaense. Eram quatro delegados e mais um grupo de agentes dedicados apenas à Lava Jato em Curitiba.
A Polícia Federal trata a mudança como uma mera questão administrativa, a fim de compensar a redução do efetivo de policiais cedidos à força-tarefa.

Pelas redes sociais, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, do Ministério Público Federal, fez duras críticas à decisão, fazendo uma referência direta ao presidente Michel Temer (PMDB), que vem sendo alvo de investigações. “A força-tarefa da Polícia Federal na Operação Lava Jato deixou de existir. Não há verbas para trazer delegados. Mas, para salvar o seu mandato, Temer libera verbas à vontade”, afirmou o procurador.

A Operação Lava Jato, apesar de algumas decisões controversas, prestou – e ainda presta – um grande serviço ao país. Durante três anos de investigações, quase 40 fases da operação foram deflagradas. Desde o início das investigações, houve 198 prisões, entre temporárias e preventivas, de acordo com números da Justiça Federal do Paraná e do Ministério Público Federal. Atualmente, 23 pessoas permanecem detidas em presídios. Entre elas, estão o deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antônio Palocci (PT-SP).

Mais de R$ 10 bilhões foram recuperados ou estão em processo de recuperação. Outros R$ 3,2 bilhões em bens dos investigados e condenados foram bloqueados. Os números da Lava Jato falam por si. A operação foi fundamental e conseguiu resultados históricos no combate à corrupção, um grave problema brasileiro, que sangra os cofres públicos há décadas e décadas.
O trabalho de combate à corrupção deve seguir e esse desmonte da Operação Lava Jato representa um retrocesso. O número de policiais federais não será mais adequado à demanda. Há ainda muitas investigações e inquéritos em curso. Não há como voltar atrás na Lava Jato e qualquer interferência nesse trabalho é lamentável e mostra que o Brasil está longe de combater essa corrupção institucionalizada nos poderes