A menos de duas semanas do início da Quaresma, piscicultores da região se preparam para atender a demanda do consumo que aumenta consideravelmente neste período do ano. A Quaresma é uma época de reflexão para os cristãos logo após o fim do Carnaval. Muitos católicos deixam de lado a carne vermelha para comer peixes. Segundo comerciantes e produtores do setor, a procura aumenta 40%.
O produtor Luiz Ciola produz anualmente 10 toneladas de peixes em 12 tanques em um sitio de dois alqueires na localidade Água da Tapera, em Ariranha do Ivaí. Toda a produção é comercializada somente na região e mais da metade vendida na Quaresma. “Estamos com uns seis mil quilos para vender na Quaresma, que foi o mesmo volume que vendemos no ano passado”.
Ciola produz tilápia, catfish, carpa, tambacu, bagre e piaçu. “Hoje o mais procurado é o catfish. É um peixe considerado nobre, com carne muito saborosa, filés sem espinhos e com baixo teor de gordura”, comenta Ciola. O peixe vivo é vendido em média a R$ 12 o quilo. Desde o ano passado, na Quaresma, o produtor vende o peixe vivo no Lago Jardim Botânico. “Nós temos as gaiolas e colocamos no lago. Fica mais fácil e o cliente pode escolher o peixe que quiser”.
Apesar do custo da produção ainda ser um desafio para o setor, Ciola diz que é um bom negócio. “O peixe que não vende fica no tanque crescendo. Temos muitos clientes que preferem peixe acima de 4 quilos, e nós temos também aqui. Peixe é diferente de boi e suíno, que quando chega num tamanho determinado tem que vender. Além disso, existem possibilidades de crescimento do mercado, porque os brasileiros estão consumindo mais peixe o ano todo”, enfatiza.
Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a aquicultura terá expansão nos próximos anos no Brasil. O relatório aponta que em dez anos a produção de pescados em cativeiro no Brasil mais do que dobrará. A expectativa é que em 2025 a produção já seja de 1,145 milhão de toneladas. O consumo do brasileiro chegará a 12,7 quilos em 2025, cerca de 32% a mais do que os 9,6 quilos consumidos por ano entre 2013 e 2015.