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80% das mulheres são presas por tráfico

Vanuza Borges

| Edição de 03 de setembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Crimes associados ao tráfico de drogas são os que mais levam as mulheres à cadeia. Segundo o Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen), cerca de 80% das presas foram encaminhadas ao sistema penal por envolvimento com o tráfico de drogas. Em segundo lugar aparecem casos de roubos e, na sequência, o furto. Da população carcerária na região, a população carcerária feminina corresponde a 3,87%. Em números correspondem a 26 detentas, que se encontram encarceradas em Apucarana, Arapongas, Jandaia do Sul e Faxinal, contra 671 detentos masculinos, praticamente a mesma média do Estado.

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Silvana Sebastiana dos Santos, de 53 anos, é um exemplo revelado pela estatística. Ela, que cumpre pena na carceragem de Ivaiporã, perdeu a liberdade por envolvimento com o tráfico de drogas. Ela, que já cumpriu pena em presídios femininos de Curitiba, alega que acabou se envolvendo com o tráfico por influência de companheiros.
Silvana foi a primeira presa feminina do Estado a sair em liberdade com tornozeleira eletrônica, mas foi presa novamente e afirma que está arrependida de ter se envolvido com o crime. “Tive oportunidade de deixar essa vida, mas, infelizmente, acabei voltando. Hoje, eu quero pedir perdão aos meus pais, que são pessoas honestas e nada têm a ver com a vida que levei. Sempre me ensinaram coisas diferentes, porém não os segui. Nesse tempo, também perdi a infância e adolescência de meus filhos”, comenta.
Em fase conclusiva da pena, Silvana faz planos para o futuro. "Minha primeira meta é voltar a trabalhar e ficar bem longe das drogas. O que aprendi aqui vou levar para o resto da minha vida e também tenho um sonho de escrever um livro. Quero mostrar outro caminho para as pessoas, já que não consegui fazer isso com a minha vida”, revela.
Segundo o delegado Gustavo Dante, delegado da 54ª Delegacia Regional de Polícia de Ivaiporã, atualmente, as nove detentas respondem pelo crime de tráfico de drogas. 
“A maioria delas tinha algum envolvimento com alguém do mundo do tráfico. Quando se prende um traficante, várias delas acabam sucedendo, por já conhecerem a rotina. Seja por medo ou o tráfico torna-se o sustento da família", avalia.

APUCARANA 
Em Apucarana, as razões que têm levado às mulheres à cadeia também são as mesmas. Segundo o juiz a primeira vara Criminal da Comarca de Apucarana, Oswaldo Soares Neto, observa que crimes relacionados ao tráfico de drogas são as principais causas de prisões entre o público feminino. 
“Na maioria das vezes, elas acabam se envolvendo com o crime por influência do companheiro e também de familiares. Porém, a reincidência das mulheres é menor que dos homens. O número de presas tem reduzido nos últimos anos”, afirma.
No Estado, segundo o Depen, em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma redução de 33%, passando de 1.010 detentas em 2016 para 671 em agosto de 2017. Porém, de 2012 a 2016, o registro foi de alta 39%. Tendência registrada em todo território nacional, que vem registrando alta seguidas nos últimos dezesseis anos. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça, a população carcerária feminina cresceu 698.