A desigualdade de gênero é um grave problema brasileiro, que se reproduz em várias formas de opressão, desde a violência doméstica até diferença salarial no mercado de trabalho. É algo que precisa ser superado. É inaceitável que mulheres recebam salários menores que os homens mesmo executando tarefas iguais e tendo a mesma formação profissional.
Matéria publicada pela Tribuna nesta semana mostra que mulheres recebem 20% menos que os homens, em média, nos cinco principais municípios da região: Apucarana, Arapongas, Ivaiporã, Faxinal e Jandaia do Sul.
A maior disparidade salarial foi registrada em Arapongas, onde trabalhadores masculinos ganham, em média, 30,9% acima da força de trabalho feminina. A menor diferença foi encontrada no mercado de trabalho de Faxinal, com 12,4%, seguida de Apucarana, com 13,6%. Os dados são de 2016 e foram divulgados pelo Ministério do Trabalho. No Paraná, em média, homens têm rendimento 26,5% maior que as mulheres.
Chama atenção o fato de que a diferença salarial não está pautada em características profissionais de homens e mulheres. Na maioria dos casos, os trabalhadores dos dois sexos têm a mesma idade, mesma formação profissional e experiência de horas trabalhadas, mas os salários são diferentes.
O mercado de trabalho, na verdade, reproduz a desigualdade de gênero existente na sociedade. A licença maternidade é um exemplo desse quadro. Muitos empregadores discriminam as trabalhadoras por conta disso e a gestação acaba tendo um custo muito alto na carreira das mulheres. As mães são penalizadas nas empresas desde o início, já na entrevista de emprego, o que representa objetivamente esse preconceito de gênero. Além disso, têm mais dificuldades em alcançar postos de chefia.
Há também a segregação sexual na própria entrada do mercado de trabalho, com grande concentração de mulheres em cursos nas áreas de educação e humanas. Isso reflete uma cultura machista, que relaciona às mulheres a questões domésticas e de relacionamento interpessoal.
Combater essas desigualdades representa um desafio. No entanto, é preciso reverter esse quadro, com uma mudança de consciência nas empresas. Além de garantir justiça às mulheres, é uma questão de fortalecimento econômico. Estudos mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) de países com forte segregação sexual no mercado de trabalho poderia ser acrescido em até 20%. A luta da igualdade de gênero é importante, portanto, do ponto de vista ético e também financeiro para os países.