Uma simpática senhorinha de 84 anos de descendência japonesa pode ser considerada a “mãe da bandeira municipal de Apucarana”. Apparecida Moriama trabalhava como taquígrafa no Legislativo em 1965, quando ela e o então secretário-geral da Casa, Wlademiro Camargo Mariano, lideraram o movimento de dotar o município desse importante símbolo oficial, que hoje está presente em todos os espaços públicos.
Uma história de amor também pode ter nascido em meio às reuniões e discussões de criação da bandeira e do brasão de Apucarana, que acabaram sendo oficializados em 1968, em lei municipal. Na época, os dois eram apenas colegas de trabalho, mas acabariam se casando em 1985.
Dona Cida, como é carinhosamente chamada pelos familiares e amigos, lembra que o então colega de trabalho e futuro marido percebeu a ausência desse símbolo municipal e decidiu iniciar uma mobilização para resolver essa carência. Ela foi seu braço direito na elaboração dos trâmites legais e também nos estudos heráldicos para a elaboração do brasão. “Quando a gente estava aqui em 1965, Apucarana não tinha nada. Então, a gente imaginou que a cidade precisava ter o seu brasão e a sua bandeira. Sem esses símbolos, a cidade não é cidade”, lembra Cida, que trabalhou na Câmara entre 1965 e 1997. Natural de Getulina (SP), ela é lembrada até hoje com carinho por antigos funcionários e ex-vereadores.
O marido Wlademiro Camargo Mariano veio de São Paulo para Apucarana em 1964 e também tem um papel importante na história da Câmara. Em 1967, ele foi convidado pelo então presidente Argemiro Pires Furiatti para organizar a secretaria do Legislativo e, em 1971, elaborou a estrutura administrativa da Câmara.
O sobrenome “Camargo Mariano” não é uma simples coincidência. Ele era pai do músico Cesar Camargo Mariano, fruto do primeiro casamento. Cesar Camargo Mariano foi marido da cantora Elis Regina, que visitou o pai em Apucarana em pelo menos duas oportunidades.
Cida lembra que ajudou na montagem da lei e também na divulgação da bandeira e do brasão. A confecção ficou a cargo de profissionais habilitados na técnica de heráldica, que consiste na descrição e criação de brasões. Os heraldistas Reinaldo Costa e Arcinoé Antonio Peixoto de Faria assinam o estudo de Apucarana.
Aprovado em 3 de julho de 1968, o projeto de lei nº 28/1968 criando esses dois símbolos foi assinado pelos então vereadores Humberto Ribeiro de Queiroz e Waldesir Pagani. Este último, inclusive, fez questão de constar no texto um voto de aplausos à equipe que, anonimamente, fez todo o trabalho de pesquisa, liderados por Apparecida Moriama e Wlademir Camargo Mariano, com apoio de outros funcionários do Legislativo.
Em 1969, Apparecida Moriama e Wlademir Camargo Mariano receberam o Diploma de Méritos em Tarefas Comunitárias na Câmara por conta dessa iniciativa, que ficou para a história de Apucarana. “É um motivo de orgulho. Eu, que sou nikkei, e não era conhecida”, completa Cida, a mãe da bandeira apucaranense.
O Brasão
O brasão é representado por um escudo clássico flamengo-ibérico, que evoca os colonizadores portugueses. É encimado pela coroa mural de oito torres de argente, das quais cinco são visíveis em perspectiva no desenho, representando a sede da Comarca.
O metal jaude (ouro) é símbolo heráldico da glória. O terrado ondeado verde representa a Serra de Apucarana, enquanto a estrela de cinco pontas vermelha a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. A catedral, no espaço azul, trata da fé cristã do povo.
Os ramos de café se referem às lavouras, que eram a base da economia local na época. A cor vermelha, onde aparece o nome Apucarana, faz referência aos pioneiros e moradores da cidade. Os anos 1943 e 1944 representam as datas de fundação e emancipação, respectivamente.