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Abandono escolar cresce quase 4%

Renan Vallim

| Edição de 28 de fevereiro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O abandono escolar no Ensino Médio aumentou quase 4% na área do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, chegando a uma média de 10,91%. Já o índice de reprovação diminuiu, chegando a 10,15%. A soma dos dois índices aponta que, de cada dez alunos que se matriculam na região, dois não conseguem chegar aprovados ao final do ano.
Segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os 16 municípios pertencentes ao NRE de Apucarana matricularam quase 11,5 mil alunos no Ensino Médio em 2017. No ano, o índice de abandono do Ensino Médio na região foi de 10,91%, o que resulta em cerca de 1.250 alunos deixando os bancos escolares no ano. Em 2016, o índice ficou em 7,10%.
O maior crescimento foi de Marumbi, que não havia registrado nenhum caso de abandono em 2016, mas que no ano seguinte passou a liderar o ranking regional, com índice de desistência que atingiu 26,24% do total de alunos, seguida por Mauá da Serra, que também havia ficado com o índice zerado em 2016, mas registrou 21,05% em 2017. Cambira passou de 9,88% para 18,92%, ficando em terceiro na região.
Entre os maiores municípios, Apucarana registrou 7,16% de índice de abandono escolar no Ensino Médio em 2017. No ano anterior, o número ficou em 5,66%. Em Arapongas, a porcentagem passou de 5,77% em 2016 para 6,05% no ano seguinte. Já as cidades de Jandaia do Sul e Faxinal registraram queda. A primeira passou de 9,89% para 6,78%; a segunda, de 7,05% para 0,2%, segundo menor índice da região. Rio Bom teve índice zerado nos dois anos em questão.
Professor no campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e orientador do Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paraná (PDE), Fábio Luís Baccarin afirma que são vários os motivos que levam ao abandono escolar, mas ressalta os dois que mais se destacam atualmente.
“O primeiro problema que observo é que o Ensino Médio está longe de ser atrativo aos alunos. Hoje, ele só serve para preparar o ingresso ao ensino superior. Falta um objetivo mais específico. Um maior foco no ensino profissionalizante, por exemplo. Outro motivo é a necessidade que muitos alunos têm de trabalhar. Boa parte deles têm que trabalhar de dia e estudar à noite, o que acaba aumentando as chances de abandono”, diz.
Ele lembra ainda que o Governo Federal aprovou, no ano passado, a Matriz Comum Curricular para o Ensino Médio, que foca na padronização das aulas em todo o país e promove o ensino integral. “Leva um tempo até que um projeto como este seja implantado e comece a dar resultados. Apesar dele ter sido aprovado ‘a toque de caixa’, sem o volume de discussões necessário para uma medida desta magnitude, é preciso ser otimista. Se o processo for tratado com o investimento, seriedade e empenho necessários, acredito que os resultados serão positivos”.

Reprovações têm redução
Na região do NRE de Apucarana, o índice de reprovações caiu, passando de 11,45% em 2016 para 10,15% em 2017, ou 1.166 alunos. O menor índice foi registrado em Cruzmaltina: 1,55%, sendo que em 2016 o número foi de 5,74%. Sabáudia aparece logo depois, com índice de 4,82%, após registrar 10,87% no ano anterior. Com 5,21% de reprovações ficou Marilândia do Sul. O município registrou 9,19% em 2016.
Entre os maiores municípios, desempenho negativo. Em Apucarana, índice subiu de 16,16% para 17,01%. O de Arapongas foi de 9,31% para 10,41%. Em Faxinal, o índice passou de 13,07% para 18,40%. Apenas Jandaia do Sul reduziu seus índices, de 11,13% para 5,49%.
De acordo com o NRE de Apucarana, tanto os dados de reprovação quanto de abandono ainda são preliminares e, quando as estatísticas oficiais forem publicadas, poderá haver divergências dos resultados, ainda que pequenas.