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Ação de quadrilha de roubo de cargas na BR-376 preocupa Polícia Militar

Adriana Savicki

| Edição de 23 de outubro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Em um período de menos de uma semana, foram registrados um saque e dois roubos de cargas na BR-376, trecho entre os municípios de Mauá da Serra e Ortigueira. Parte dos produtos levados em um dos crimes foi recuperada ontem pela Polícia Militar. Por conta do aumento dos assaltos, principalmente de cargas de combustível, a PM está desenvolvendo um plano de ação para a região. A área é classificada pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) como de alto risco de assalto.
A carga recuperada – peças de móveis – foi localizada em um bar desativado no Bairro 20 Casas, em Mauá da Serra. Segundo o sargento Francis Lourenço Gomes, o produto foi saqueado de uma carreta com placas de Indaial (SC), que capotou no sábado, próximo ao Bairro dos França, em Ortigueira. 
“Apesar do acidente e o saque não terem sido na nossa área, recebemos uma denúncia anônima”, comenta. Ele estima que um terço do que foi levado estava escondido no local. O proprietário do imóvel, segundo o sargento, já foi preso por receptação e envolvimento em quadrilhas de furto de cargas que agem na região. Uma carreta de frango congelado também foi alvo de ladrões na semana passada. 
Além dos saques, outro crime que vem preocupando a PM é o roubo de cargas de combustível. O último caso aconteceu na quarta-feira da semana passada. Segundo estimativa da corporação foi o quinto assalto com este tipo de produto como alvo registrado na região nos últimos meses.  
“O modus operandi é o mesmo. Os bandidos se aproveitam da baixa velocidade dos veículos na Serra do Cadeado, sobem no cavalo e fecham uma mangueira de ar que trava o freio. O caminhoneiro desce e imediatamente é rendido e feito refém e deixado quilômetros adiante do crime. Todos os casos foram assim”, comenta. Na última quarta-feira foram levados 45 mil litros de gasolina. 
“Estamos conversando com outros destacamentos, avaliando rotas e pontos de cativeiro. Esses assaltos têm ocorrido em intervalos de cerca de 40 dias”, comenta. Segundo o sargento, a meta é agir em conjunto. 
Por conta da divisão administrativa da área onde ocorrem os assaltos é difícil levantar números. Segundo o delegado Felipe Ribeiro, de Marilândia do Sul, há investigações em andamento em Marilândia, Ortigueira e outros municípios. A Polícia Civil não tem um levantamento preciso de quantos inquéritos estão em andamento pelos crimes, mas aponta que a média de registros de ocorrências - incluindo saques - é semanal.
Ele afirma que a geografia da região é um facilitador para ação dos bandidos. “Temos uma serra, onde eles agem, cercada por uma área rural muito extensa e muito acidentada, de modo que há muitas rotas de fuga e pontos de esconderijo de mercadorias”, comenta. 
A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) também vem pedindo mais atenção para essa área. Segundo o presidente da entidade, Sérgio Malucelli, a federação já solicitou uma investigação sobre a ação das quadrilhas junto à Delegacia de Roubo de Cargas, que é especializada neste tipo de crime. “Essa é uma região que se tornou de alto risco. Queremos uma atenção maior das autoridades neste ponto”, comenta.