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Acidente com ônibus Conrado e Aleksandro repercute entre músicos apucaranenses

Fernando Klein

| Edição de 10 de maio de 2022 | Atualizado em 10 de maio de 2022
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O acidente que provocou a morte do cantor Aleksandro, da dupla com Conrado, e outros cinco integrantes da equipe gerou apreensão em diversos músicos e profissionais de Apucarana que trabalham com duplas sertanejas famosas. Celeiro de muitos músicos, principalmente de bandas de baile, Apucarana tem inúmeros representantes tocando ou atuando no backstage de artistas renomados.

O roadie Júlio César Mariano, de 37 anos, ainda está abalado. O apucaranense trabalhava com a dupla Conrado e Aleksandro até poucos dias antes da tragédia com o ônibus dos artistas, ocorrida na manhã do último sábado (7), em Miracatu, no interior de São Paulo. Na terça-feira anterior ao acidente, ele fechou com a dupla Thaeme e Thiago e mudou de emprego.

“Eu estaria no ônibus no dia do acidente. O menino que foi no meu lugar acabou morrendo. Eu tive esse livramento. A gente fica triste com os amigos que se foram. Tínhamos um vínculo de amizade muito forte”, conta o roadie, que tem com função auxiliar na passagem de som e na montagem dos instrumentos, entre outras obrigações nos bastidores.

Júlio trabalha desde os 12 anos na área e já percorreu o Brasil atuando nas equipes de Chitãozinho e Xororó, Fernando e Sorocaba e Bruno e Barreto, entre outros artistas. Ele reconhece que essas viagens geram preocupação, sim, mas fazem parte da vida de quem atua na área. “A gente sai de casa para trabalhar e está sujeito, infelizmente, assim como qualquer outro trabalhador”. Ele revela que nunca sofreu nenhum acidente e assinala que, dependendo da dupla, a rotina é de até 20 shows por mês

Baixista da dupla Gian e Giovani, o apucaranense Bill Almeida, de 44 anos, comenta que a preocupação é constante por conta do grande número de viagens e aumenta, inevitavelmente, quando ocorre um acidente desse porte. Ele chegou anteontem em Apucarana para visitar os familiares, mas já pega a estrada na quinta-feira (12). O próximo show será em Matias Cardoso (MG). “É um risco frequente, sem dúvida. Sempre quando acontece um acidente surge uma preocupação maior, mas é algo que faz parte da nossa rotina”, ele assinala. Apesar de citar que um acidente pode ocorrer com qualquer profissional que pega a estrada, o baixista afirma que procura fazer o que está ao seu alcance para se proteger. “Eu, por exemplo, sempre uso cinto de segurança no ônibus.

A maioria acaba não utilizando”, ele admite.

Leandro Pinto de Freitas, de 44 anos, atua há 27 anos no meio musical. Profissional de design, ele é responsável pelo audiovisual dos shows. Já trabalhou com Bruno e Barreto e também com Conrado e Aleksandro. Deixou a rotina das estradas e hoje trabalha em home office produzindo para inúmeros artistas renomados, como Gusttavo Lima. “É uma vida muito complicada. Cada dia em uma cidade. Quando estava com a dupla Bruno e Barreto, era uma loucura”, diz.

Quanto a Aleksandro, ele lamenta a perda. “Era um cara muito gente boa e humilde. Um cara muito correto e sério. É muito triste o que aconteceu”, finaliza.

“Eu estaria no ônibus no dia do acidente. O menino que foi no meu lugar acabou morrendo".